A Polícia Federal aponta que uma organização do banqueiro Daniel Vorcaro pagava até R$ 2 milhões a influenciadores digitais para atacarem o Banco Central nas redes sociais.
O ministro André Mendonça, do STF, autorizou busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda Silva nesta quinta-feira (9), apontado como articulador do esquema.
Para divulgar os ataques, os contratados assinavam um termo de confidencialidade com multa de R$ 800 mil antes de conhecerem os detalhes das publicações.
Segundo as investigações, os recursos tinham origem em Vorcaro e provinham de fraudes financeiras do Banco Master, investigadas na Operação Compliance Zero de 2025.
A PF afirma que o grupo também vigiava, criava dossiês e intimidava jornalistas e empresários que eram considerados obstáculos para os interesses do banqueiro.
A operação de propaganda tinha até nome: "Projeto DV" — as iniciais de Daniel Vorcaro.
Segundo a defesa de Miranda, a atuação profissional do publicitário sempre foi pautada pela "legalidade, transparência, respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão".
Em nota, o advogado diz que ele não praticou "ato criminoso" e "não participou de condutas voltadas a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros".
Segundo a PF, o grupo procurava influenciadores e jornalistas com propostas de contrato. O objetivo era claro: publicar conteúdos favoráveis ao Banco Master e questionar a liquidação do banco pelo Banco Central.
Antes de saber do que se tratava, o contratado precisava assinar um acordo de confidencialidade. A multa por quebra de sigilo era de R$ 800 mil.
Só depois da assinatura o trabalho era revelado. Foi o que disse, por exemplo, o vereador Rony Gabriel, ouvido pela PF. Segundo ele, um representante da empresa UNLTD ofereceu um trabalho de "gerenciamento de reputação" para "um importante executivo".
Após assinar o acordo, o vereador soube o que deveria fazer: gravar vídeos dizendo que o Banco Master teria sido "vítima" do Banco Central.
Quem recusava as ofertas virava alvo, diz a PF. O grupo usava informações privadas, obtidas de forma ilícita, para intimidar e coagir quem não aderia ao projeto.
De acordo com a decisão, os pagamentos aos influenciadores eram feitos pelo próprio Thiago Miranda. Ele confirmou isso em depoimento.
O dinheiro, porém, tinha origem em Vorcaro. Miranda disse que usava parte dos recursos recebidos pela venda de uma fatia do portal de notícias Léo Dias. Os valores eram repassados pela Super Empreendimentos e Participações, empresa do banqueiro.
Para a PF, os recursos vinham do esquema de fraudes financeiras do Banco Master — investigado pela Operação Compliance Zero, que prendeu Vorcaro em novembro de 2025.
O publicitário confirmou que o projeto previa "matérias a serem veiculadas em mídia sobre a prisão e sobre toda a investigação relacionada ao Master".
O grupo não se limitava a comprar postagens, diz a PF. Também vigiava quem incomodava.
Miranda e Vorcaro discutiram estratégias contra a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, que cobria o caso Master. Foram levantados dados financeiros, familiares e patrimoniais dela — de gastos no cartão de crédito ao carro que usa. O objetivo, segundo a PF, era constranger e desacreditar a jornalista.
O mesmo método teria sido usado contra Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú, e a mulher dele. "Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy", escreveu Vorcaro a Miranda. A resposta veio na hora: "Deixa comigo." Um dossiê sobre o casal, com a marca da agência de Miranda, circulou entre os dois.
Miranda também disse a Vorcaro ter relação próxima com a companheira de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central — proximidade que, para a PF, seria usada a favor do grupo.
Houve ainda pressão direta sobre jornalistas para derrubar reportagens. Quando um conteúdo saiu do ar, Miranda comemorou: "Mais um arquivado!"
Para o ministro André Mendonça, os elementos reunidos não são "meras conjecturas". A decisão autoriza a apreensão de documentos, celulares e dados em nuvem de Thiago Miranda, com afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telefônico. A PGR foi favorável às buscas.
Segundo o ministro, o grupo tem "contornos de máfia" e agia contra qualquer pessoa vista como obstáculo aos interesses de Vorcaro.
Escândalo no Banco Master: Grupo de Vorcaro Pagava Até R$ 2 Milhões a Influenciadores para Atacar o Banco Central, Revela PF
A Polícia Federal aponta que uma organização do banqueiro Daniel Vorcaro pagava até R$ 2 milhões a influenciadores digitais para atacarem o Banco Central nas redes sociais. O ministro André Mendonça, do STF, autorizou...