Escombros de avião em Vinhedo (SP) neste sábado, dia 10 de agosto de 2024 Nelson Almeida/AFP O ex-chefe dos pilotos da Voepass será um dos indiciados pela Polícia Federal (PF) por conta da queda do avião ATR 72-500, em Vinhedo (SP). O acidente resultou na morte de 62 pessoas em 9 de agosto de 2024. Documentos públicos consultados pela reportagem apontam que o cargo era ocupado à época do acidente por Rafael Gimenez Rodrigues. Ainda segundo apuração da EPTV, emissora afiliada da TV Globo, outros funcionários da administração da companhia aérea serão responsabilizados criminalmente. Nesta quinta-feira (6), em coletiva marcada para as 14h, a PF divulgará o relatório final do inquérito policial que apura as circunstâncias do acidente. Diferentemente do relatório final da Força Aérea Brasileira (FAB) divulgado em 23 de julho de 2026, que busca apontar fatores contribuintes e possíveis melhorias à aviação, o inquérito policial tem como objetivo apurar se houve crimes e eventuais responsáveis pela tragédia. ? Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Os indiciados deverão responder por processos criminais, com o acompanhamento do Ministério Público Federal (MPF). O g1 fez contato com Rafael e aguarda retorno. Em nota, a Voepass disse que aguarda a divulgação oficial do relatório da PF para conhecer integralmente seu conteúdo e se manifestar. Depois do relatório da FAB, em julho, a companhia aérea afirmou que o acidente foi o episódio mais grave de sua história e destacou que prestou apoio às famílias das vítimas desde o primeiro momento — leia a nota na íntegra abaixo. LEIA TAMBÉM Cenipa aponta 'cultura de normalização de desvios' na Voepass VÍDEO: simulação mostra voo da Voepass da decolagem à queda Cenipa cita conversas pessoais de pilotos e 'esquecimento' do sistema de degelo Relembre queda de avião que matou 62 pessoas em 2024 Anac diz que vai analisar recomendações em até 4 meses Veja como foi divulgação do relatório em tempo real Fabricante francesa altera manual de aeronave após queda em Vinhedo Famílias tiveram acesso à transcrição de conversas No fim de junho, representantes das famílias tiveram acesso pela primeira vez à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave. O documento integra o laudo produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), que embasa o inquérito da PF. As conversas eram aguardadas porque poderiam ajudar a esclarecer os momentos finais do voo, incluindo se os pilotos comentaram ou acionaram o sistema de degelo — uma das hipóteses investigadas desde o acidente. Segundo os advogados que representam os familiares, a expectativa é que a Polícia Federal conclua o inquérito em breve e encaminhe o caso ao Ministério Público Federal (MPF). O relatório poderá embasar eventuais indiciamentos. O relatório do Cenipa Tragédia da Voepass: vídeo mostra como foi acidente de avião em Vinhedo Paralela à investigação da PF, o Cenipa apurou fatores que contribuíram para o acidente aéreo e divulgou um relatório. O órgão da FAB fez dezenas de perícias para reconstruir o voo e entender a sequência de eventos que levou à queda da aeronave. ?? Entre os principais trabalhos realizados estão: análise das duas caixas-pretas (gravador de voz da cabine e gravador de dados de voo); reconstrução completa do voo, incluindo comandos feitos pelos pilotos e alertas emitidos pela aeronave; exames nos motores e nos sistemas de degelo e de proteção contra estol; análise das condições meteorológicas registradas no dia do acidente; entrevistas com pilotos, mecânicos, despachantes e familiares dos tripulantes; estudo de mais de 15 mil voos realizados por aeronaves da mesma frota da companhia; testes em simuladores e um voo experimental com outro ATR 72-500; análise de registros de manutenção, certificados médicos dos pilotos e outros documentos técnicos. Segundo o Cenipa, também foram analisados equipamentos responsáveis pelo controle de diferentes sistemas da aeronave e até as lâmpadas dos painéis do avião para verificar quais estavam acesas no momento da queda. Caixa preta da aeronave que caiu em Vinhedo (SP). Divulgação/FAB Ação judicial Após a conclusão do inquérito da PF, familiares das vítimas pretendem ingressar com uma ação coletiva de responsabilidade civil por danos morais. Segundo o advogado Leonardo Amarante, a medida não substitui as ações individuais de indenização já em andamento. A intenção é buscar a responsabilização de empresas, pessoas físicas e eventuais instituições que tenham contribuído, por ação ou omissão, para a tragédia. LEIA TAMBÉM: EXCLUSIVO: avião teve falha omitida em diário de bordo horas antes de decolar, diz testemunha Áudios inéditos mostram conversas entre pilotos e controle aéreo minutos antes da queda; OUÇA Bilhete de amor, terço e alianças: objetos saem intactos da tragédia e viram relíquias para famílias enfrentarem saudade Protesto de familiares das vítimas da queda de avião em Vinhedo Gabriella Ramos/g1 Relembre o acidente O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024. O ATR 72-500, matrícula PS-VPB, fazia o voo entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) quando caiu no quintal de uma casa em um condomínio de Vinhedo (SP). As 62 pessoas a bordo, incluindo 58 passageiros e quatro tripulantes, morreram. Nenhum morador da residência atingida ficou ferido. Foi o acidente mais grave da aviação brasileira desde o desastre com o voo da TAM, em 2007. O que diz a Voepass A queda do voo 2283, em 9 de agosto de 2024, foi o episódio mais difícil da história da VOEPASS. Desde o momento do acidente, a empresa esteve solidária às famílias das vítimas, compartilhando uma dor que permanece presente em sua memória. Em mais de 30 anos de operações na aviação brasileira, a companhia jamais havia enfrentado uma situação como essa. Ao longo de três décadas, sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação. A atuação da empresa sempre esteve pautada em padrões de segurança internacionais, contando inclusive com a certificação IOSA desde 2012, um requisito de excelência operacional emitido apenas para empresas auditadas IATA. A tripulação do voo 2283 era experiente, capacitada e devidamente certificada, acumulando mais de 5.000 horas de voo e com treinamentos técnicos e acompanhamentos de saúde rigorosamente atualizados, sem qualquer registro prévio ou fator que impedisse sua atuação. Desde o início das apurações, a VOEPASS atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas e segue à disposição de todas as instituições e agentes envolvidos para colaborar com o que for necessário. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas