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Ataques da Ucrânia levam apoio à guerra ao menor nível na Rússia

IGOR GIELOWSÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A campanha de ataques da Ucrânia contra o sistema energético e logístico da Rússia levou a uma queda inédita na aprovação da guerra lançada por Vladimir Putin em 2022 contra o...

Ataques da Ucrânia levam apoio à guerra ao menor nível na Rússia
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IGOR GIELOWSÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A campanha de ataques da Ucrânia contra o sistema energético e logístico da Rússia levou a uma queda inédita na aprovação da guerra lançada por Vladimir Putin em 2022 contra o vizinho. A invasão é apoiada por 66% dos russos, ante 23% que a rejeitam.

Ainda é um número expressivo, claro, mas, em maio, a parcela dos que apoiavam as ações das Forças Armadas na Ucrânia era de 74%. Ela chegou a bater em 80% em três ocasiões, março de 2022, fevereiro e março de 2025.

Os dados são do principal instituto de pesquisa independente da Rússia, o Centro Levada, que sofre sanções do Kremlin. A pesquisa ouviu 1.612 pessoas presencialmente em 137 cidades, de 21 a 28 de julho, e foi divulgada nesta semana. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

O ponto mais baixo até então havia sido em 27 de fevereiro de 2022, quatro dias após a invasão: 68%. Mas ali a metodologia não era comparável, dado que o levantamento foi feito em um dia por telefone, com uma amostra menor.A partir de maio, o presidente Volodimir Zelenski disse que levaria "a guerra para a casa dos russos" após obter acesso a mísseis de longo alcance de fabricação doméstica e a mais drones capazes de atingir alvos a mais de 2.000 km de distância.

Com isso, tornaram-se quase diárias as imagens de refinarias pegando fogo, navios graneleiros sendo atacados no mar Negro e, a partir de 18 de julho, depósitos da gigante do comércio online Wildberries virando alvo de drones.Há o impacto humano, como a Folha mostrou. Em janeiro, morriam 7,1 civis na guerra, 1 deles na Rússia; em julho, foram 21, maior número desde o primeiro mês do conflito. Desses, 2 eram russos.

"Ninguém está feliz. Como se sabe, quem vai para a guerra é na maioria gente de regiões mais pobres, que precisam do dinheiro dos contratos. Mas agora está difícil encher o tanque do carro", escreveu em mensagem de texto o engenheiro Pavel, que pediu para não revelar o sobrenome.

Ele mora em Moscou, onde filas em postos com cotas reduzidas de combustível fazem parte da paisagem. A situação melhorou após uma corrida inflacionária no meio de junho, quando o litro da gasolina AI-95, a mais comum, saltou de 70 rublos (R$ 4,3) para quase 95 rublos (R$ 5,9) em algumas redes privadas.

Agora, ainda há escassez, mas o governo aplicou penalidades e viu os preços se estabilizarem em torno de 75 rublos (R$ 4,6). Ainda assim, 13% dos russos citaram a crise do combustível como a questão dominante dos últimos meses, em uma pergunta aberta e espontânea do Levada.

O item só perde para os ataques em si, com 17% de citações. Logo abaixo vêm outros dois pontos ligados à guerra: as ações contra a Wildberries, a "Amazon russa" amplamente usada pela classe média, com 10%, e a operação militar em si, com 7%. Só então temas mundanos surgem, no caso a Copa em que a Rússia estava banida, com 4%.

Por ora, a aprovação de Putin foi arranhada pela crise, sem ainda ameaçar o sistema de poder que ele herdou de czares do passado, mantendo controle imperial sobre facções rivais no governo, indústria e finança.

A aprovação do presidente chegou a 74% entre os russos, marca invejável em qualquer país ocidental. Mas esse número costumava flutuar de 80% a 90% e, em maio, estava em 79%.

O Levada também aferiu outras más notícias para o Kremlin. Apenas 50% dos russos acreditam que a guerra está sendo um sucesso, o discurso oficial. Esse índice é 19 pontos abaixo do registrado há um ano. Já 28% acham que ela é um fracasso, 11 pontos a mais no período.

Por outro lado, a visão vendida pelo governo sobre quem é culpado pelo conflito tem aderência. Para 32%, a União Europeia é responsável pela guerra, ante 20% que apontam Kiev e 19%, os Estados Unidos. Só 10% citam a Rússia, que fez a invasão.

Para 62% dos ouvidos, deveria haver negociações de paz. Já 28% preferem que a guerra se intensifique em busca da vitória. Uma coisa que a maioria, 56%, não quer são concessões aos ucranianos. Um quarto dos ouvidos disse estar de acordo com isso.

Fonte: Noticias ao Minuto

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