Ex-policial civil de SP acumula condenações por desvios de fianças que somam R$ 40 mil A ex-policial civil Elizete Aparecida Maisaka Montagnana, de 47 anos, acumula condenações em processos criminais por desvios de fianças e valores apreendidos em ações policiais, que somam R$ 40 mil. Alguns dos casos aconteceram em Americana (SP). A decisão mais recente é desta segunda-feira (27). A Justiça condenou a ex-escrivã a dois anos de prisão, no regime aberto, e dez dias-multa, por ter se apropriado de uma fiança de R$ 1,7 mil enquanto trabalhava no Plantão Policial de Americana, em 2016. Até janeiro deste ano, Elizete cumpria pena no regime semiaberto na Penitenciária Feminina 1 de Tremembé (SP). Porém, naquele mês, ela progrediu para o regime aberto, que dá direito a sair da prisão desde que cumpridas algumas condições, como restrições de circulação. ? Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp O g1 questionou a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) se a ré foi colocada em liberdade, mas não teve resposta. A reportagem também procurou a defesa de Elizete e a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), mas não recebeu os retornos até a última atualização desta matéria. Condenações anteriores Elizete Aparecida Maisaka Motagnana foi condenada por desvio de fiança Reprodução/TJ De acordo com informações obtidas pelo g1, por meio de certidões do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), a ex-policial civil acumula cinco condenações por desvios de fianças e valores apreendidos em ações policiais. Confira abaixo os quatro casos anteriores — listados em ordem de data da sentença na primeira instância: 13 de agosto de 2019 - condenada por desvios de nove fianças, totalizando R$ 14.762, quando trabalhava na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Americana. Após recurso, ela teve a pena reduzida para dois anos e dois meses de prisão, no regime aberto, porque devolveu parte do valor. 10 de outubro de 2019 - condenada por desvios de 26 fianças e valores apreendidos no 10º DP (Distrito Policial) da Penha, em São Paulo (SP). Os valores, somados, chegavam a R$ 23.493. Pena de três anos e quatro meses de prestação de serviços. 28 de julho de 2021 - condenada por se apropriar de R$ 103 apreendidos de um suspeito por tráfico de drogas, em 29 de agosto de 2017. Elizete trabalhava no 10º DP da Penha. Pena de 10 meses de prisão, no regime aberto. 8 de dezembro de 2022 - condenada por se apropriar de R$ 175,05 de um suspeito, no 10º DP da Penha, em 29 de setembro de 2017. Pena de dois anos no regime semiaberto, que motivou Elizete a ser presa em Tremembé. Quinta condenação Delegacia de Americana Reprodução/EPTV A quinta e mais recente condenação de Elizete ocorreu na 2ª Vara Criminal de Americana. De acordo com a investigação da Polícia Civil, em 4 de janeiro de 2016, um homem foi autuado em flagrante pelos crimes de estelionato e uso de documento falso. Dias depois, o suspeito teve direito à liberdade provisória mediante pagamento de fiança de R$ 1.760. A ex-escrivã estava no Plantão Policial de Americana e foi responsável por receber esse valor das mãos do advogado. Elizete deveria recolher o dinheiro aos cofres públicos, mas, conforme denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), ela se apropriou do montante. O caso resultou em um inquérito, instaurado em março de 2024, e em uma ação criminal. Na decisão desta segunda, o juiz Eugenio Augusto Clementi Junior afirmou que a autoria do crime "é induvidosa" e que, embora a ré tenha alegado que não fez o recolhimento do valor porque o flagrante não era dela, a versão dela "restou isolada no conjunto probatório". "Não é crível a versão apresentada, posto que, em que pesem as declarações da defesa, não foi produzida qualquer prova material a comprovar que a ré não era a responsável pela guarda e, posterior, depósito da quantia", ponderou. Elizete foi condenada a dois anos de prisão, no regime aberto, e dez dias-multa. A acusada poderá recorrer em liberdade. A ex-policial civil ainda é ré em outro processo, que apura uma suposta apropriação de R$ 260, valor apreendido com um suspeito por tráfico de drogas, no 10º DP da Penha. O caso não foi julgado. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas