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Acusado sob suspeita de induzir suicídio de Sabine Boghici é preso no Rio

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na segunda-feira (3) Rafael Maia Cardoso, acusado sob suspeita de induzir ao suicídio Sabine Coll Boghici, filha de Jean Boghici, um dos mais...

Acusado sob suspeita de induzir suicídio de Sabine Boghici é preso no Rio
Imagem fornecida pela publicação original: Noticias ao Minuto

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na segunda-feira (3) Rafael Maia Cardoso, acusado sob suspeita de induzir ao suicídio Sabine Coll Boghici, filha de Jean Boghici, um dos mais influentes marchands brasileiros. Acusada de dar um golpe milionário na mãe, a herdeira morreu em setembro de 2023, aos 49 anos, após cair do quinto andar do prédio onde morava, no Leblon, zona sul da capital fluminense.

A prisão ocorreu quatro dias depois de a Justiça receber denúncia do Ministério Público tornando Rafael réu pelos crimes de cárcere privado, tortura e induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio qualificado.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa do réu. No processo disponível para consulta pública no Tribunal de Justiça do Rio, não consta advogado constituído em seu nome.

De acordo com a investigação, Rafael era companheiro de Catarina das Graças Stanesco, filha de Rosa Stanesco Nicolau, conhecida como Mãe Valéria de Oxóssi e ex-companheira de Sabine. Após deixar a prisão em março de 2023, Sabine passou a morar em um apartamento com Catarina, Rafael e uma criança adotada por Rosa.

Segundo a polícia, Rafael foi localizado no Jardim Botânico, também na zona sul do Rio, após trabalho de inteligência da 9ª DP (Catete). Ele foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Na decisão, a juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis afirmou estarem presentes indícios suficientes de autoria e materialidade para o prosseguimento da ação penal. Segundo o documento, as provas reunidas incluem o registro de ocorrência, laudos periciais, exame de necropsia e depoimentos colhidos durante a investigação.

A magistrada afirma ainda que há indícios de que Rafael integrava o convívio diário de Sabine e participou de um contexto de intenso sofrimento físico e psicológico imposto à vítima por um longo período, circunstâncias que, segundo a denúncia do Ministério Público, culminaram em seu suicídio.

Ao decretar a prisão preventiva, a juíza considerou que a medida é necessária para garantir a ordem pública, preservar a instrução criminal e assegurar a aplicação da lei penal. Segundo a decisão, as principais testemunhas são funcionários e pessoas do convívio diário dos envolvidos e poderiam sofrer influência caso os acusados permanecessem em liberdade.

A investigação sobre a morte de Sabine foi reaberta após um pedido da defesa de Geneviève Boghici, mãe da vítima. Até então, o caso era tratado como uma hipótese de suicídio. Com a retomada das apurações, a Polícia Civil passou a investigar a possibilidade de induzimento e instigação ao suicídio qualificado.

Segundo a corporação, ao longo da investigação foram reunidos depoimentos, registros audiovisuais e laudos periciais que apontariam que Sabine era submetida de forma contínua a maus-tratos, agressões físicas, intenso sofrimento psicológico e restrição de liberdade.

RELEMBRE O CASO

Sabine era filha do marchand Jean Boghici (1928-2015), um dos principais colecionadores e negociadores de obras de arte do país. A família administrava um patrimônio estimado em cerca de R$ 1 bilhão, segundo documentos do inventário.

Antes de morrer, ela respondia a um processo por estelionato, roubo, extorsão, associação criminosa e cárcere privado após ser acusada de aplicar um golpe milionário contra a própria mãe, Geneviève Boghici.

Segundo a investigação, em 2020 e 2021, Geneviève teria sido coagida a realizar transferências bancárias que somaram cerca de R$ 9 milhões e a entregar obras de arte e joias do patrimônio familiar. O prejuízo foi estimado, à época, em R$ 720 milhões.

Entre as obras negociadas estava Sol Poente (1929), de Tarsila do Amaral. A pintura foi recuperada pela polícia durante as investigações, assim como outras 12 obras. Três quadros haviam sido vendidos ao Malba (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires), na Argentina.

Sabine permaneceu presa por cerca de oito meses e, desde março de 2023, respondia ao processo em liberdade. Por meio de sua defesa, ela sempre negou as acusações e afirmou que as denúncias feitas pela mãe eram uma represália à disputa pelo inventário da família e ao seu casamento com Rosa Stanesco.

Na época da morte, a Polícia Civil informou que não havia indícios de homicídio. Segundo os investigadores, o apartamento estava em ordem, a janela permanecia intacta e testemunhas não relataram movimentação incomum no edifício. A corporação também informou, naquele momento, que Sabine enfrentava um quadro de depressão.

As investigações conduzidas posteriormente pela 9ª DP levaram, contudo, à denúncia apresentada pelo Ministério Público, que atribui a Rafael Maia Cardoso a participação em um contexto de violência física e psicológica que teria culminado na morte de Sabine.

Fonte: Noticias ao Minuto

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