Mauricio Silva Knoploch dos Santos foi preso nesta quinta-feira (9) na Operação Ouroboros. Ele guardava oito unidades de munição de pistola 9mm em sua casa no Anil, Zona Sudoeste do Rio.
O investigado é diretor do Instituto Rio Metrópole. O órgão é alvo de uma investigação sobre suposto esquema de corrupção em contratos de R$ 86 milhões.
Segundo as investigações, licitações fraudulentas em 2022 direcionaram contratos e subcontratos fictícios. Os valores eram posteriormente sacados em espécie com escolta armada.
O deputado Alexandre Knoploch disse ter recebido com surpresa as informações. Ele afirmou que não teve influência na nomeação de seu pai para o instituto.
O Governo do Rio informou que identificou indícios de irregularidades após auditoria da Controladoria-Geral.
Mauricio Knoploch vai responder por posse ilegal de munição de uso restrito, crime cuja pena pode chegar a seis anos de prisão.
Além deste crime, ele também é um dos alvos da investigação do MPRJ sobre um suposto esquema de corrupção em contratos do Instituto Rio Metrópole que ultrapassam R$ 86 milhões. Mauricio é diretor de Planejamento e Projetos do IRM.
De acordo com as investigações, em licitações fraudulentas e direcionadas a partir de 2022, o IRM contratou a Engeconsult Consultores Técnicos e a R Peotta Engenharia e Consultoria.
Em seguida, a Engeconsult e a R Peotta celebraram subcontratos fictícios com a Brazilian Institute of Organic — Instituto Bio, para depositar parte dos valores recebidos do IRM.
Esse dinheiro era posteriormente sacado da conta do Instituto Bio, sob a escolta da Rioforte.
Outra ponta do esquema eram os aditivos feitos nos contratos. Só em 2023, a Engeconsult recebeu um acréscimo de R$ 58 milhões.
Classificada na denúncia como a “Mulher da Mala”, no dia 9 de janeiro, Caroline Soares Barros foi surpreendida por agentes da 110ª DP (Teresópolis) quando foi sacar R$ 500 mil em espécie em uma agência bancária daquele município, escoltada por funcionários da Rioforte. Ao todo, realizou 13 saques calculados em pouco mais de R$ 3 milhões.
O g1 tenta contato com a defesa de Mauricio Knoploch.
Alexandre Knoploch: o deputado disse que recebeu com "surpresa" as informações sobre a operação e que não teve influência na nomeação do pai no Instituto Rio Metrópole e que o currículo dele é "admirável". "Espero que se apure tudo que está acontecendo. Estou em paz", disse.
Knoploch disse ainda que, por ser político, tem sofrido mensagens para "depreciar" seu mandato. "A gente apanha por coisas que são nossas e, muitas vezes, por coisas que não são nossas de forma direta", acrescentou.
Nota da Engeconsult: "A Engeconsult desconhece o teor das investigações e qualquer documento e informação a elas relacionados. A empresa nega a prática de qualquer ato irregular. Em quase 50 anos de serviços em todo o país, a Engeconsult primou pelo cumprimento das leis e boas práticas de governança. Por isso, está à disposição das autoridades para os esclarecimentos que se fizerem necessários."
Nota do Governo do Rio: "O Governo do Estado do Rio de Janeiro informa que ainda não foi oficialmente notificado da medida comunicada pelo Ministério Público em relação ao Instituto Rio Metrópole (IRM). Durante a coletiva desta quinta-feira, o promotor responsável pelo caso informou que o secretário do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que também responde pela Secretaria de Governo, Roberto Leão, ficará responsável pelo instituto até a nomeação do novo presidente da autarquia pelo governador em exercício.
A atuação do Ministério Público é fruto de um trabalho conjunto entre os órgãos do Estado. O Governo identificou indícios de irregularidades nos contratos por meio de auditoria realizada pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) e pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no Instituto Rio Metrópole (IRM).
O Governo do Estado reafirma seu compromisso com a transparência e com o trabalho integrado dos órgãos de controle no combate à corrupção."