Animais os quais os machos assumem papeis de cuidadores henrique_bitencourt / szymon_bzoma / michael_leven - iNaturalist Quando um vídeo mostrando um casal de pirarucus cercado por centenas de filhotes viralizou nas redes sociais, muita gente se impressionou com a cena. O que poucos sabem é que o comportamento observado está longe de ser uma exceção. Em diferentes grupos de animais, os machos podem incubar ovos, proteger ninhos, carregar filhotes e até aumentar suas chances de reprodução justamente por demonstrarem que são bons cuidadores. ? Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram A ciência chama esse comportamento de cuidado parental. Segundo uma revisão publicada na revista Ecology and Evolution, ele engloba qualquer investimento dos pais que aumente a sobrevivência, o desenvolvimento ou a qualidade dos filhotes, desde que os benefícios para a prole superem os custos para os adultos. Os autores destacam que esse tipo de cuidado surgiu de forma independente diversas vezes ao longo da evolução e pode ser exercido pela mãe, pelo pai ou por ambos, dependendo da espécie. Uma revisão da Royal Society reforça que não existe um único modelo de família na natureza. Ao comparar diferentes grupos de vertebrados, os pesquisadores observaram que aves, peixes, anfíbios e mamíferos seguiram caminhos evolutivos distintos. Enquanto mamíferos apresentam, em sua maioria, cuidado materno, peixes ósseos e anfíbios exibem diversas transições para o cuidado exclusivo dos machos. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: CIÊNCIA: Cães alteram comportamento de onças-pardas em áreas protegidas, revela estudo VEJA VÍDEO: Ariranha é flagrada devorando enorme cachara no Pantanal; veja vídeo ALÉM DO DESMATAMENTO: Doenças também preocupam na conservação dos felinos brasileiros O pai que lidera centenas de filhotes O pirarucu (Arapaima gigas) é um dos exemplos mais emblemáticos da fauna brasileira. Segundo a pesquisadora Ana Cláudia Torres Gonçalves, do Instituto Mamirauá, quem assume o cuidado direto da prole é o macho. "Os filhotes nadam sobre a cabeça do pai, aprendendo a respirar e a se alimentar. Enquanto isso, a fêmea permanece próxima, afastando possíveis predadores." De acordo com a pesquisadora, esse cuidado dura cerca de três meses e aumenta significativamente a sobrevivência dos filhotes. O comportamento observado recentemente em um vídeo com aproximadamente 400 filhotes ilustra justamente essa estratégia reprodutiva. Veja o vídeo: Casal de pirarucus com cerca de 400 filhotes viraliza nas redes Esse padrão ajuda a explicar por que o cuidado paterno é tão frequente entre peixes. Uma meta-análise com 48 espécies concluiu que, diferentemente do observado em muitos mamíferos e aves, o cuidado com a prole normalmente não compromete a condição física dos machos. Mais surpreendente ainda: em várias espécies, as fêmeas preferem acasalar com machos que já estão cuidando de uma ninhada, fazendo do cuidado parental um verdadeiro atrativo sexual. Pais que jejuam e vigiam Ema (Rhea americana) szymon_bzoma / iNaturalist Nas aves, poucos exemplos são tão extremos quanto o da ema (Rhea americana). Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Buenos Aires mostrou que o macho constrói o ninho, incuba sozinho os ovos por cerca de 42 dias e aumenta gradativamente o tempo dedicado ao ninho, passando de 64% durante a postura para 97,5% no auge da incubação. As saídas ocorrem principalmente nas horas mais quentes do dia, reduzindo o risco de os embriões atingirem temperaturas letais durante a noite. Após a eclosão, o pai continua cuidando dos filhotes por quatro a seis meses, dedicando menos tempo à alimentação e mais à vigilância contra predadores. Segundo a bióloga Joana Caito, esse investimento cobra um preço elevado. "Estima-se que o macho perca entre 15% e 20% do peso corporal durante a incubação. Mesmo assim, continua protegendo os filhotes por vários meses, o que mostra o alto custo energético desse comportamento." Na Antártida, o pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri) leva esse esforço ao limite. Enquanto a fêmea parte em busca de alimento, o macho permanece incubando o único ovo do casal durante o inverno. Pinguim-Imperador (Aptenodytes forsteri) michael_leven / inaturalist Para sobreviver ao frio intenso, centenas de indivíduos se agrupam continuamente. Como explica Joana, esses agrupamentos não são estáticos: duram, em média, cerca de 1,6 hora e podem elevar temporariamente a temperatura no interior do grupo para aproximadamente 37,5 °C, reduzindo drasticamente a perda de calor. Quando o pai ajuda a mãe a reproduzir mais Mico-Leão-Dourado (Leontopithecus rosalia) henrique_bitencourt / iNaturalist Entre os mamíferos, o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) também desafia o senso comum. O macho passa grande parte do tempo carregando os filhotes e os entrega à fêmea basicamente para a amamentação. Esse comportamento ilustra um padrão identificado por pesquisadores da Universidade de Hull, no Reino Unido. Ao analisar mais de 500 espécies de mamíferos, eles verificaram que espécies em que os machos carregam os filhotes apresentam períodos de lactação mais curtos e maior frequência reprodutiva. Em outras palavras, a ajuda do pai reduz parte do enorme custo energético da amamentação e permite que a fêmea volte a se reproduzir mais rapidamente. "Em algumas espécies, cuidar dos filhotes representa um enorme sacrifício. Em outras, como diversos peixes, ser um bom pai pode até aumentar as chances de conquistar novas parceiras. O importante é que todas essas estratégias evoluíram porque aumentam as chances de sobrevivência da próxima geração", acrescenta Joana. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Assista ao Terra da Gente deste sábado (1°), na íntegra Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente
Nem sempre é a mãe: conheça animais em que os pais assumem os cuidados com os filhotes
Animais os quais os machos assumem papeis de cuidadores henrique_bitencourt / szymon_bzoma / michael_leven - iNaturalist Quando um vídeo mostrando um casal de pirarucus cercado por centenas de filhotes viralizou nas...
Esta notícia foi publicada originalmente por G1. Consulte a publicação original para mais detalhes.
Abrir publicação original