'Impacto grande': tarifaço de Trump preocupa empresas exportadoras do interior de SP A nova tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos já está em vigor e os impactos preocupam empresas exportadoras de São Carlos (SP) e região.
'Impacto grande': tarifaço de Trump de 25% preocupa empresas exportadoras do interior de SP
'Impacto grande': tarifaço de Trump preocupa empresas exportadoras do interior de SP A nova tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos já está em vigor e os impactos preocupam...
O tarifaço do governo americano de Donald Trump a impõe uma taxação severa: a cada US$ 100 em mercadorias enviadas, o importador nos EUA paga US$ 25 adicionais apenas em impostos. A mudança ameaça diretamente cerca de US$ 15 bilhões em vendas anuais do Brasil. O impacto econômico da taxação americana é assimétrico. Enquanto commodities como café e suco de laranja ficaram de fora, setores de peso como o de etanol, máquinas industriais e estruturas de aço foram atingidos. LEIA TAMBÉM: MEDIDAS: Governo Lula libera R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifaço do governo Trump ENTENDA: Tarifaço dos EUA: taxa adicional de 25% passa a valer nesta quarta; veja perguntas e respostas Preocupação e perda de competitividade Empresas exportadoras de São Carlos (SP) temem impacto do tarifaço de Trump Reprodução/EPTV Em São Carlos e região, o clima entre os industriais é de forte apreensão. Para empresas metalúrgicas locais que têm o mercado norte-americano como principal destino, a sobretaxa na prática já começou a anular a vantagem competitiva em relação a outros blocos econômicos. O diretor da empresa de fundição de aço Engemasa, João Sverzut Baroni, relata as dificuldades imediatas geradas pela nova barreira alfandegária. "Para a gente, acaba inviabilizando muitos dos clientes que a gente tem lá. Estados Unidos é o principal mercado que a Engemasa atende, então é um impacto grande para a empresa, porque a gente deixa de ser competitivo versus a concorrência que vem principalmente da Europa." Para mitigar os prejuízos e evitar a perda de clientes, indústrias da região já começaram a desenhar novas estratégias de atuação, embora o processo de transição para o mercado global seja complexo e gradual. De acordo com Baroni, a mudança exige planejamento a longo prazo. "A gente está tentando abrir novos mercados, esse é um movimento que demora de 3 a 5 anos, porque são equipamentos que são feitos sob medida, então tem todo um processo de certificação de fornecimento". Veja a reportagem do EPTV2 na íntegra: Tarifaço de Trump preocupa empresas exportadoras de São Carlos e região Divergências políticas e riscos para o emprego Os Estados Unidos alegam justificativas ambientais e regulatórias para validar o aumento tarifário. Por outro lado, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) criticou duramente a decisão. Em nota oficial, a entidade lamentou a medida, classificando-a como "totalmente política". Especialistas alertam que o recuo nas vendas externas pode deflagrar um efeito cascata na cadeia produtiva do interior paulista, impactando diretamente o nível de emprego local se o crédito do governo federal não chegar rápido à ponta. O economista Orion Godinho explica o que muda na prática para o mercado consumidor norte-americano. "O comprador de produtos brasileiros lá nos Estados Unidos vai olhar para o custo de um produto brasileiro por conta dessa tarifa e às vezes ele vai tirar do portfólio de produtos dele, ou seja, isso vai diminuir o número de negócios, vai diminuir a capacidade das empresas de criarem novos empregos e empregarem pessoas". Empresas exportadoras de São Carlos (SP) temem impacto do tarifaço de Trump Reprodução/EPTV Mudança de rota e novos parceiros comerciais Apesar do cenário desafiador, analistas apontam que o movimento de isolamento americano tem acelerado uma diversificação geográfica que já estava em curso no comércio exterior brasileiro. Segundo Godinho, o mercado dos EUA já vinha dando sinais de desaceleração para o produto nacional. "E acredito que os exportadores, eles vêm já se preparando e já têm buscado escoar os produtos por outros canais. Então, os Estados Unidos até perdeu um pouquinho da relevância que ele tinha dentro do destino das nossas exportações. E a tendência, caso essa tarifa continue, é que isso continue a acontecer e se intensificar", afirmou. A tarifa em vigor não atinge as cargas brasileiras que já estavam em trânsito rumo aos portos americanos antes do início da vigência. Representantes diplomáticos do Brasil e dos Estados Unidos mantêm as negociações abertas. Em paralelo, a expectativa de curto e médio prazo é que o mercado brasileiro intensifique de vez as pontes comerciais com outros parceiros, como China, América Latina e União Europeia. Liberação de crédito para empresas Como resposta aos impactos severos na indústria nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para socorrer as empresas brasileiras afetadas pelas tarifas dos EUA e também aquelas impactadas pelos conflitos no Oriente Médio. O pacote, batizado de "Brasil Soberano 3", será composto por R$ 13,5 bilhões de recursos não utilizados da primeira edição do programa e de renegociações de dívidas rurais, além de outros R$ 5 bilhões aportados pelo BNDES. VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara
Esta notícia foi publicada originalmente por G1. Consulte a publicação original para mais detalhes.
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