Imagens de transtornos causados pela chuva na região de Ribeirão Preto Edição g1 A região de Ribeirão Preto (SP) tenta se recuperar da devastação causada por um temporal na madrugada de 24 de julho, que registrou rajadas de vento de até 122 km/h. O fenômeno, descrito por meteorologistas como uma sequência de "microexplosões", resultou em 24 milímetros de chuva em apenas 20 minutos. Uma morte foi confirmada - um homem atingido pela estrutura de um galpão enquanto dormia - , além de um rastro de destruição em ruas, praças prédios públicos, hospitais e residências. Prefeituras da região decretaram situação de emergência em meio a um cenário "de guerra" encontrado pelas equipes de resgate: árvores centenárias arrancadas, postes quebrados e telhados de galpões lançados sobre casas. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Em Ribeirão Preto, um gabinete de crise foi instalado para coordenar as ações de resposta e ajuda humanitária. Equipes da Defesa Civil Estadual e Nacional foram mobilizadas para apoiar o município, que enfrentou colapso parcial em serviços básicos. A prioridade estabelecida pelas autoridades é o restabelecimento da energia elétrica, essencial para que os demais serviços, como o abastecimento de água, voltem à normalidade. 34 horas depois do temporal, 81 mil imóveis seguem sem luz na região de Ribeirão Preto, SP “O cenário é muito triste realmente na cidade. Nós vamos ter muito trabalho pela frente. A situação é desoladora”, afirmou o prefeito Ricardo Silva. A seguir, veja o que se sabe sobre os prejuízos causados por um dos maiores temporais da história da região de Ribeirão Preto dos últimos anos: Energia elétrica e internet O impacto na rede elétrica foi sem precedentes, com a queda de 34 torres de transmissão e mais de 250 postes quebrados. No auge da crise, quase 100% da população de Ribeirão Preto ficou sem luz, e oito das 14 subestações da CPFL foram desligadas devido a falhas nas linhas de transmissão. A força do vento foi tamanha que torres de alta tensão ficaram retorcidas na zona rural. Torre de energia ficou retorcida após temporal em Taquaritinga (SP) Redes sociais Até o balanço mais recente deste sábado (25) cerca de 58 mil clientes em Ribeirão Preto ainda seguiam sem energia, o que representa aproximadamente 20% dos pontos da cidade. No início da manhã de sábado, o número de imóveis no escuro em toda a região chegava a 115 mil, mas caiu para 81,9 mil clientes ao longo do dia com o avanço das equipes de reparo. A CPFL mobilizou um contingente de 300 equipes e profissionais de diversas cidades como Campinas e Piracicaba para trabalhar de forma ininterrupta na reconstrução da rede. LEIA TAMBÉM Veja a situação da energia elétrica nas cidades da região de Ribeirão Preto afetadas pelo temporal Veja lista com interdições e semáforos desligados em Ribeirão Preto, SP, após temporal 'Nunca vi acontecer isso', diz produtor rural sobre queda de torres de alta tensão após temporal no interior de SP Torres de energia caídas, pórtico torcido, empresas devastadas: veja fotos da destruição causada por temporal na região de Ribeirão Temporal afeta eventos no fim de semana na região de Ribeirão; veja cancelamentos Microexplosão ou tornado: o que provocou temporal com estragos e morte na região de Ribeirão Preto Prefeito de Ribeirão Preto, SP, decreta estado de emergência após temporal que destruiu a cidade Alckmin confirma envio de Defesa Civil Nacional a Ribeirão Preto após estragos de temporal Temporal com ventos de 70 km/h causa morte, estragos e deixa Ribeirão Preto, SP, parcialmente sem energia, telefonia e internet Além da eletricidade, os setores de telefonia e internet sofreram instabilidade generalizada. O sinal de estações de rádio também foi afetado pelo vendaval. A CPFL estabeleceu a meta de normalizar o serviço em Ribeirão Preto até o final deste sábado, priorizando hospitais e bombas de captação de água. Secretário pede que pacientes sem urgência não procurem hospitais de Ribeirão Preto Saúde e atendimento médico A rede hospitalar de Ribeirão Preto enfrentou momentos críticos, com 100% dos leitos de UTI públicos ocupados após o desastre. Para evitar que pacientes ficassem sem atendimento, a prefeitura realizou a contratação emergencial de 7 leitos de UTI particulares e disponibilizou 10 leitos emergenciais adicionais nos hospitais da cidade. Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) receberam reforço médico para lidar com a demanda de feridos, que variou entre 15 e 20 pessoas com ferimentos leves. Estruturas de saúde foram danificadas, entre elas: o Hospital Santa Lydia, onde o centro cirúrgico foi afetado; a unidade de emergência do HC teve parte do forro danificado, obrigando a realocação de pacientes; Hospitais como Beneficência Portuguesa e Santa Casa operaram por horas à base de geradores; Unidades Básicas de Saúde (UBSs) foram fechadas devido a danos estruturais, e a campanha de vacinação prevista para o sábado foi cancelada. Atualmente, o fluxo de atendimento em 95% dos hospitais foi reestruturado, embora as cirurgias eletivas permaneçam suspensas para priorizar urgências. O governo do estado enviou o secretário de Saúde, Eleuses Paiva, para coordenar a regulação de leitos na região e garantir que nenhum paciente fique sem assistência. Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, SP, teve danos após temporal na madrugada desta sexta-feira (24) Redes sociais Abastecimento de água O abastecimento foi paralisado em grande parte de Ribeirão Preto devido à falta de energia, já que o sistema depende de poços artesianos. No primeiro balanço após a tempestade, 96 poços estavam inoperantes. O número foi gradualmente reduzido para 35 e, na atualização mais recente, 28 poços ainda permaneciam sem energia. Para mitigar a falta d'água nas residências, o governo estadual enviou 11 caminhões-pipa que estão sendo utilizados pela Secretaria Municipal de Água e Esgoto (Saerp) para atender as áreas mais críticas. Avenida Nove de Julho em Ribeirão Preto tomada por árvores caídas após temporal Reprodução EPTV A Prefeitura também avalia a instalação de geradores e o uso de cisternas móveis em comunidades e bairros desabastecidos. As autoridades fazem um apelo para que a população economize água e evite desperdícios enquanto o sistema não é reenergizado. A prioridade "zero" da CPFL no momento, além dos hospitais, é a religação das bombas dos poços artesianos. Sete das bombas prejudicadas tinham sido restabelecidas até o último informe técnico. Trânsito e infraestrutura O trânsito em Ribeirão Preto ficou caótico com uma pane generalizada no sistema semafórico e dezenas de vias bloqueadas. A RP Mobi registrou semáforos desligados em avenidas importantes como Nove de Julho, Independência, Caramuru, Dom Pedro I e Jerônimo Gonçalves. Além disso, o Corpo de Bombeiros recebeu 188 solicitações para corte de árvores que obstruíam vias públicas e atingiram veículos. Um dos danos mais emblemáticos foi a queda do pórtico tradicional da Avenida Dom Pedro I, que desabou sobre um carro de aplicativo; motorista e passageira saíram ilesos. Pórtico tradicional da Avenida Dom Pedro I cai sobre carro durante temporal em Ribeirão Preto, SP Reprodução EPTV Na Vila Virgínia, a força do vento foi capaz de "levantar" um carro, deixando-o pendurado em galhos de árvores. Estruturas comerciais e uma academia na Avenida Antônio e Helena Zerrener também desabaram. Para a limpeza e desobstrução, estão nas ruas 488 pessoas, incluindo agentes da Guarda Civil, servidores da Infraestrutura e voluntários, operando 109 viaturas e caminhões. A área azul - sistema de estacionamento rotativo da cidade - foi suspensa para facilitar o deslocamento, e a orientação é que os motoristas evitem sair de casa se não houver necessidade. Árvore bloqueia parte da Avenida Francisco Junqueira em Ribeirão Preto, SP Segurança Na área de segurança, a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana dizem estar atuando com força máxima. Durante a madrugada, aproveitando-se do apagão, seis pessoas foram presas em flagrante após furtarem uma loja no Centro. O patrulhamento preventivo foi intensificado em bairros que sofreram destelhamentos, para evitar saques. Assistência social O balanço da assistência social indica 1.326 pessoas desalojadas, que estão em casas de parentes ou amigos, e dez desabrigados, que dependem dos alojamentos municipais. Estruturas como a Estação Cidadania no, bairro Alexandre Balbo, e um antigo no Centro foram preparadas para abrigar até 390 pessoas. O governo estadual enviou ajuda humanitária com 200 cestas básicas, 400 cobertores e kits de higiene. Para ajudar na reconstrução das moradias, a prefeitura adquiriu 750 telhas, e o estado enviará outras 3 mil unidades. Comunidades a Locomotiva, duramente atingidas, estão recebendo atenção prioritária com mantimentos e lonas. Nany People fala sobre cancelamento de espetáculo em Ribeirão Preto após temporal Eventos e Esportes O setor cultural e esportivo sofreu interrupções. Shows de artistas como Hungria, Maria Rita e Nany People foram adiados pela falta de energia nos teatros e casas de eventos. O projeto "Música na Nove" e o fenômeno infantojuvenil "Dos Rosa" também tiveram apresentações suspensas. No esporte, o Botafogo-SP cancelou seus treinos na sexta-feira, pois o Estádio Santa Cruz e o bairro estavam sem eletricidade. Estrutura de galpão ficou em cima de casas em Guariba (SP) Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região