As contas do governo registraram um déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, informou Tesouro Nacional nesta quinta-feira (30). ? O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se as receitas ficam acima as despesas, o resultado é um superávit primário. Esses valores não englobam os juros da dívida pública. ??Houve uma piora na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando foi contabilizado um resultado negativo de R$ 46,2 bilhões (valor corrigido pela inflação). ??Esse também foi o pior resultado para meses de junho desde 2023, quando foi registrado um déficit primário de R$ 51,6 bilhões (com a correção). Receitas X despesas ??De acordo com números do Tesouro Nacional, a piora no resultado positivo está relacionada com o aumento das despesas. Segundo o governo, as despesas tiveram um aumento real (acima da inflação) de 9% em junho, para R$ 243,3 bilhões. Os principais aumentos foram: Despesas do Poder Executivo Sujeitas à Programação Financeira (+R$ 10,1 bilhões); Créditos Extraordinários (+R$ 2,8 bilhões); Benefícios Previdenciários (+R$ 2,1 bilhões); Abono e Seguro-Desemprego (+R$ 1,7 bilhão); Pessoal e Encargos Sociais (+R$ 1,3 bilhão). Já as receitas líquidas registraram alta real de 10,3% em maio deste ano, para R$ 195,2 bilhões. O bom comportamento da arrecadação, por sua vez, está relacionado com o crescimento da economia brasileira e, também, com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e também com a arrecadação relativa à taxação e à alta do petróleo. Parcial do ano No acumulado dos seis primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 92,2 bilhões, com alta de 717%. Isso representa piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo negativo de R$ 11,3 bilhões. A deterioração nas contas do governo na parcial deste ano está relacionada, principalmente, com a antecipação no cronograma de pagamento dos precatórios (valores referentes a sentenças judiciais) feita em março, que elevou o volume de despesas neste ano. ? Nos seis primeiros meses de 2026, houve um aumento real de 5,6% na receita líquida, após as transferências constitucionais a estados e municípios, totalizando R$ 1,26 trilhão (sem correção). ? Ao mesmo tempo, as despesas totais do governo somaram R$ 1,35 trilhão entre janeiro e junho deste ano, com uma alta real de 12,3% no período (valores nominais). Meta fiscal em 2026 Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais). Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 52 bilhões neste ano. Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).