O calor intenso deste verão na Europa está custando vidas. Levantamentos divulgados nesta semana no Reino Unido e na Alemanha mostram que o número de mortes associadas aos efeitos do calor extremo aumentou nos últimos meses e já bate recordes históricos no continente.
Europa registra aumento de mortes relacionadas ao calor extremo
O calor intenso deste verão na Europa está custando vidas. Levantamentos divulgados nesta semana no Reino Unido e na Alemanha mostram que o número de mortes associadas aos efeitos do calor extremo aumentou nos últimos...
A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA) afirmou que cerca de 2.877 pessoas morreram nas ondas de calor registradas em maio e junho. O total é quase o dobro do registrado no verão inteiro de 2025. Com os dados de julho e agosto ainda pendentes, 2026 já é, virtualmente, o ano mais mortal da história britânica. O recorde histórico é de 2022, com 2.985 mortes durante a temporada inteira.
Segundo o Guardian, a estimativa da UKHSA é baseada em óbitos registrados, calculando o excesso de mortalidade em comparação com épocas semelhantes no passado, em momentos sem onda de calor. O número também considera os atendimentos médicos e as internações hospitalares por doenças associadas ao calor. AFP, BBC, Independent, Reuters e Sky News também destacaram esses dados.
Já na Alemanha, dados do Instituto Robert Koch indicam que 9,8 mil pessoas morreram em decorrência das altas temperaturas neste ano, superando o recorde de cerca de 9 mil mortos registrado em 2018. Mais de 5 mil mortes associadas ao calor ocorreram na segunda quinzena de junho, quando as temperaturas chegaram a cerca de 42°C em algumas áreas do país. Anteriormente, o Escritório Federal de Estatística da Alemanha confirmou que as mortes na semana de 22 a 28 de junho foram 32% maiores do que no mesmo período no ano passado. DW e Reuters deram mais detalhes.
O calor intenso também tem facilitado a ocorrência e disseminação de incêndios florestais em vários países europeus. Dados do Serviço Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), citados pelo Guardian, indicam que o clima quente, seco e com fortes ventos de janeiro até o começo de julho foi 43% mais severo do que a média para o mesmo período nas últimas duas décadas. Até agora, mais de 435 mil hectares foram queimados em todo o continente neste ano, o que representa aproximadamente o triplo da média histórica.
Espanha e França são os países mais afetados pelo fogo, com focos de incêndio ainda ativos nos arredores de Madri e na região de Gironda, respectivamente. A intensidade das chamas diminuiu nos dois locais, mas os bombeiros ainda enfrentam dificuldades para extinguir o fogo. Com os termômetros voltando a marcar temperaturas próximas de 40°C, a principal preocupação é que o calor dificulte ainda mais o trabalho de combate às chamas.
Enquanto ainda lutam contra o fogo, muitos moradores das regiões afetadas começam a contar os prejuízos. A Associated Press e o Financial Times destacaram a preocupação dos produtores de vinho de Bordeaux, que já estimam prejuízos significativos em sua produção.
Já na comumente fria Escócia, a preocupação das autoridades e dos moradores é com um incêndio na região do Parque de Cairngorms, nas Terras Altas, um patrimônio natural nacional. Há duas semanas, o fogo persiste queimando trechos do parque, ameaçando a vida selvagem e forçando a evacuação de comunidades nas proximidades.
“O sul da Espanha e o sul da França estão começando a ter o clima que o norte da África tinha, e o Reino Unido está começando a ter o clima que a Espanha ou a França tinham há 20 anos”, comentou Grant Moir, diretor-executivo de Cairngorms, ao NY Times.
Associated Press, Bloomberg, Financial Times e Reuters também atualizaram a situação dos incêndios na Europa.
Esta notícia foi publicada originalmente por ClimaInfo. Consulte a publicação original para mais detalhes.
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