Cidades

União Europeia suspende importação de produtos animais do Brasil

O acesso da carne brasileira a um mercado que paga caro pelo produto esbarra a partir desta quinta-feira (3) na decisão da UE (União Europeia) de suspender a importação de carne bovina, ovos, carne de frango e de outras...

365
Resumo 365

Entenda a notícia rapidamente

O acesso da carne brasileira a um mercado que paga caro pelo produto esbarra a partir desta quinta-feira (3) na decisão da UE (União Europeia) de suspender a importação de carne bovina, ovos, carne de frango e de outras aves provenientes do Brasil. Enquanto o bloco cobra garantias de cumprimento de suas normas sanitárias, entidades brasileiras se mobilizam...

Pontos principais

  • O acesso da carne brasileira a um mercado que paga caro pelo produto esbarra a partir desta quinta-feira (3) na decisão da UE (União Europeia) de suspender a importação de carne bovina,...
  • Enquanto o bloco cobra garantias de cumprimento de suas normas sanitárias, entidades brasileiras se mobilizam para reverter a medida.
  • Em maio, o Brasil foi retirado de uma lista de países que cumprem as regras da UE sobre o uso de antibióticos na produção pecuária, em meio à pressão do setor europeu após a assinatura do...

Contexto

Esta matéria faz parte da cobertura de Cidades. A publicação está associada à região Nortão do Mato Grosso. A fonte original identificada na página é Nortao News. Data da publicação: 3 de setembro de 2026 às 13:37.

O que acompanhar

Os próximos desdobramentos relevantes são os ligados aos fatos e consequências descritos acima; esta página pode ser atualizada caso a informação de origem mude.

Leitura editorial organizada a partir das informações contidas nesta matéria e da fonte identificada.

O acesso da carne brasileira a um mercado que paga caro pelo produto esbarra a partir desta quinta-feira (3) na decisão da UE (União Europeia) de suspender a importação de carne bovina, ovos, carne de frango e de outras aves provenientes do Brasil.

Enquanto o bloco cobra garantias de cumprimento de suas normas sanitárias, entidades brasileiras se mobilizam para reverter a medida.

Em maio, o Brasil foi retirado de uma lista de países que cumprem as regras da UE sobre o uso de antibióticos na produção pecuária, em meio à pressão do setor europeu após a assinatura do acordo de livre comércio com os países do Mercosul —Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai—, em 1º de maio.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o cumprimento dessas normas. A decisão foi assinada e publicada em junho pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, formalizando a determinação que havia sido anunciada pelo bloco em maio.

Apesar da intervenção pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de tratativas técnicas e diplomáticas nos últimos meses, o bloco não flexibilizou a decisão, anunciada em maio, de retirar o Brasil da lista de países autorizados a vender os produtos à UE.

Um porta-voz da União Europeia afirmou à agência AFP que o Brasil é um parceiro importante e que assim que esse cumprimento for comprovado, as exportações poderão ser retomadas.

As medidas fazem parte da política europeia de combate à resistência dos microrganismos aos medicamentos, buscando evitar o uso desnecessário de antibióticos.

As regras proíbem o uso desses produtos na pecuária para estimular o crescimento dos animais e também restringem antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções em humanos.

A União Europeia é um mercado estratégico para o Brasil, principalmente pelo alto valor agregado e pelo perfil específico dos cortes comercializados, e não há substituição automática desse mercado, já que diferentes destinos demandam produtos e cortes distintos.

Segundo dados do setor, no período de janeiro a julho de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia somaram 63,7 mil toneladas e US$ 562,2 milhões, com preço médio de US$ 8.823 por tonelada.

A alta é de 10,4% em volume e de 22,8% em valor na comparação com igual período de 2025, quando o preço médio já era 11,2% mais baixo.

No período, a UE representou 3,24% do volume exportado pelo Brasil e 4,92% da receita, ocupando a quarta posição entre os maiores mercados em valor, a sétima em volume e a primeira em preço médio.

Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para o bloco haviam crescido 17% em volume, passando de 110,2 mil para 128,9 mil toneladas, com receita 18,1% maior, de US$ 895,7 milhões para US$ 1,058 bilhão.

A suspensão das importações também afeta ovos e mel. Quando considerados todos os itens, o impacto anual estimado poderia ficar próximo de US$ 2 bilhões.

No caso da carne de aves e do mel, uma auditoria está em andamento e deve ser concluída nesta sexta-feira (4); se os resultados forem considerados satisfatórios pela UE, as importações brasileiras poderão voltar a ser autorizadas já neste ano.

Para a carne bovina, porém, o prazo pode ser mais longo, devido à duração dos ciclos de produção, informou a Comissão Europeia, podendo demorar até 2028.

Segundo relatório do Rabobank, a suspensão aperta o fornecimento de carne bovina e frango da UE e pode levar a uma alta dos preços no mercado europeu, embora o impacto nos mercados de carne bovina seja mais pronunciado no segmento premium.

“Suspender as importações de carne bovina da UE do Brasil intensificaria ainda mais a pressão sobre as exportações brasileiras, que já devem enfrentar obstáculos na segunda metade de 2026 devido às restrições de cotas tarifárias da China”, diz o documento.

Por outro lado, embora a União Europeia compre mais de fornecedores alternativos —como Argentina, Uruguai e Austrália para carne bovina, e Ucrânia, Tailândia e China para aves— é improvável que essas fontes compensem totalmente os volumes ausentes no Brasil.

Em julho, a Argentina conseguiu a reabertura do mercado da UE para a exportação de aves e ovos, tendo recuperado seu status de país livre de gripe aviária. Mais de 40 fábricas de processamento de carne do país estão autorizadas a exportar carne bovina para a União Europeia.

Procurado para comentar o tema, o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) ainda não se pronunciou.

As entidades do setor dizem acompanhar as negociações, conduzidas em âmbito governamental, e seguir fornecendo os subsídios técnicos necessários para o restabelecimento do fluxo comercial.

A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) informou que, desde que as novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos foram comunicadas, vem atuando em conjunto com os demais elos da cadeia produtiva e prestando suporte técnico ao Mapa.

De acordo com a Abiec, os esforços atuais estão concentrados na reinclusão do Brasil entre os países aptos a exportar para o bloco, uma vez que as garantias oficiais do Mapa já foram apresentadas.

No âmbito privado, foi elaborado um protocolo de controle sobre o uso de antimicrobianos, desenvolvido em conjunto com a Abcar (Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade) e pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

O presidente da CNA, João Martins, enviou ofícios ao Itamaraty e ao presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), alertando para os prejuízos ao setor agropecuário com a decisão.

“A medida, decorrente da aplicação extraterritorial de normas sobre o uso de antimicrobianos, desconsidera o rigor do sistema oficial de defesa e inspeção sanitária do Brasil, impondo prejuízos imediatos às cadeias produtivas nacionais, gerando grave e injustificada distorção no acesso ao mercado europeu”, afirma Martins no ofício enviado a Mauro Vieira, ministro de Relações Exteriores.

A confederação também divulgou um pedido ao governo brasileiro por medidas em reação ao embargo, além de uma investigação sobre a qualidade do azeite de oliva importado pelo país.

Em uma nota sobre a investigação do azeite de oliva, a CNA não faz qualquer menção aos europeus. No entanto, 89% das quase 90 mil toneladas do produto importado pelo Brasil em 2025 vieram da União Europeia, a maior parte de Portugal, seguido por Espanha e Itália.

No documento, a CNA pede o acionamento do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões, que “foi expressamente desenhado para resguardar as Partes contra legislações unilaterais que rompam o equilíbrio econômico-comercial pactuado”.

Já a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) reforça que a avicultura brasileira já cumpre integralmente todos os requisitos determinados pela União Europeia para as importações de carne de frango.

Fonte: Nortao News

Esta notícia foi publicada originalmente por Nortao News. Consulte a publicação original para mais detalhes.

Abrir publicação original
Proxima leitura recomendada

Criminosos invadem farmácia em frente a condomínio de luxo e fogem com joias e Mounjaro após renderem funcionários; veja vídeo

Leia também

Leia também

Cidades

Comércio pode abrir no feriado de 7 de Setembro em Cuiabá e VG

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) informa que o comércio da capital e em Várzea Grande poderá funcionar no feriado de 7 de Setembro, conforme prevê a Convenção Coletiva...