BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - Figura mais popular do Partido Trabalhista, Andy Burnham foi eleito líder da legenda nesta sexta-feira (17), em Londres, e se tornará primeiro-ministro do Reino Unido na próxima segunda. Em seu discurso de posse, agradeceu ao colega Keir Starmer pelo "maior rebalanceamento da justiça social" já executado no país e prometeu uma política "menos tóxica".
Futuro primeiro-ministro, Andy Burnham promete política menos tóxica no Reino Unido
BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - Figura mais popular do Partido Trabalhista, Andy Burnham foi eleito líder da legenda nesta sexta-feira (17), em Londres, e se tornará primeiro-ministro do Reino Unido na próxima segunda....
"Podemos descobrir que nosso discurso político neste país se torna um pouco menos tóxico, e devemos nos empenhar para alcançar isso", declarou o ex-prefeito de Manchester, em clara referência ao maior desafio dos trabalhistas desde a vitória esmagadora em 2024: mostrar que o partido pode fazer a diferença no poder.
Starmer capitulou, a despeito das reformas e da navegação cuidadosa do país durante um período turbulento, especialmente no âmbito externo. Burnham, por sua vez, promete uma administração mais próxima da população, como em seus tempos de prefeito. "Não vou mudar. Tenho um estilo, é o meu estilo, e sempre vou permanecer com os pés no chão, próximo das pessoas."
Nesta semana, em Cardiff, no País de Gales, Burnham sentou no banco de uma rua comercial da cidade e respondeu a perguntas de quem passava. As conversas foram gravadas e publicadas em suas redes sociais -até aqui, ele tem dedicado pouco tempo à imprensa profissional. Questionado sobre serviços de saúde, por exemplo, declarou que seu pai tem Alzheimer e que conhece bem as limitações do setor.
O futuro premiê buscou as raízes do estado atual do Reino Unido no thatcherismo e nas sucessivas administrações conservadoras que desembocaram no brexit.
"Tenho certeza de que o Reino Unido tomou uma série de rumos errados na década de 1980. O poder político foi centralizado e o poder econômico foi privatizado. O país abriu mão do controle dos serviços essenciais, moradia, água, energia, transporte, e deixou a população exposta a custos mais elevados."
Segundo Burnham, isso gera concentração de riqueza e poder, em um número limitado de regiões. "Lentamente, às vezes de forma imperceptível ao longo de quatro décadas, o poder político e econômico foi se esvaindo de nossas comunidades."
"Se as autoridades locais não controlam algo tão básico quanto um serviço de ônibus, como poderão conectar as pessoas às oportunidades e reverter essa situação?", perguntou o ex-prefeito, que tomou de volta o controle do transporte público na região de Manchester, um dos fatos políticos que o tornou popular a ponto de ser chamado de "rei do Norte".
"E se não temos controle público suficiente sobre o custo dos itens essenciais, como podemos ter controle sobre inflação, gastos públicos e o resto da economia?
A direita usa a expressão 'recuperar o controle', mas foram eles que abriram mão dele em primeiro lugar."
O discurso não foge do histórico de Burnham, que chegou a causar arrepios em analistas e setores do mercado quando se movimentou para voltar ao Parlamento e viabilizar sua candidatura a primeiro-ministro, no mês passado.
Com controle efetivo da própria comunicação, aparou arestas até arrancar manchetes sobre "mercados aliviados", nesta semana, com a possível formação de seu gabinete. O time só será anunciado na segunda-feira (20).
"Serei um líder do Partido Trabalhista pró-negócios, assim como fui um prefeito pró-negócios na Grande Manchester. Juntos, transformamos a região. Levaremos isso a todo o país", disse. Burnham chegou a batizar sua política como "manchesterismo".
Nela, é central a descentralização, "devolution", devolver atribuições variadas, de cobrança de impostos à administração de saúde, aos governos locais. O novo líder reiterou sua intenção de criar uma filial de Downing Street, a tradicional sede do governo britânico, em Manchester, responsável por tocar essa redistribuição de poder.
Burnham foi apontado como líder dos trabalhistas por 379 parlamentares do partido e 23 organizações afiliadas. Seu ambicioso plano de reformas precisa fazer sentido para a população até 2029, data das próximas eleições gerais. Até aqui, o populismo de Nigel Farage, principal face da ultradireita no país, domina as pesquisas de opinião.
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