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Tambaqui está ameaçado de extinção? Entenda classificação do peixe típico da Amazônia

Tambaqui Shutterstock/Reprodução O tambaqui está ameaçado de extinção? A resposta é sim. A espécie está classificada como “Vulnerável (VU)” na avaliação de risco de extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da...

Tambaqui está ameaçado de extinção? Entenda classificação do peixe típico da Amazônia
Imagem fornecida pela publicação original: G1

Tambaqui Shutterstock/Reprodução O tambaqui está ameaçado de extinção? A resposta é sim. A espécie está classificada como “Vulnerável (VU)” na avaliação de risco de extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) o que, segundo o órgão, significa que o peixe enfrenta risco alto de extinção na natureza. A classificação consta no Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), na ficha da espécie Colossoma macropomum, nome científico do peixe amazônico. ? Participe do canal do g1 AM no WhatsApp O ICMBio classifica o risco de extinção das espécies em oito categorias: Extinta (EX): Não há dúvida de que o último indivíduo morreu; Extinta na Natureza (EW): Sobrevive apenas em cativeiro ou cultivo; Criticamente em Perigo (CR): Enfrenta risco extremamente alto de extinção na natureza; Em Perigo (EN): Enfrenta risco muito alto de extinção na natureza; Vulnerável (VU): Enfrenta risco alto de extinção na natureza; Quase Ameaçada (NT): Próxima de atingir os critérios de ameaça no futuro; Menos Preocupante (LC): População abundante e segura no momento; Dados Insuficientes (DD): Sem informação suficiente para avaliar o risco Além da avaliação do ICMBio, o tambaqui também aparece na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos. A lista foi reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) por meio da Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026. Assim, o tambaqui é classificado como espécie vulnerável pelo ICMBio desde 4 de setembro de 2023, enquanto a inclusão na lista oficial reconhecida pelo MMA ocorreu em 2026.

Por que o tambaqui foi classificado como vulnerável? O ICMBio aponta que o tambaqui ocorre naturalmente nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco, com ocorrência em Bolívia, Colômbia, Peru, Venezuela e Brasil. Em território brasileiro, é natural nas várzeas do rio Amazonas, incluindo os estados do Acre, Rondônia e Amazonas. A ficha do ICMBio aponta que o tambaqui apresenta tendência populacional de declínio. O documento apresenta análises populacionais feitas com dados do Ibama e projeções para a espécie. Uma das análises apresentadas na ficha projeta uma redução populacional global de 43,4% em três tempos geracionais. O documento informa ainda que o tempo geracional do tambaqui foi estimado em 22 anos. Entre as ameaças registradas na ficha está o uso de recursos biológicos, especificamente a pesca e o uso de recursos aquáticos. O documento informa que Colossoma macropomum é uma espécie amplamente utilizada na piscicultura e na pesca comercial e de subsistência. O tambaqui já esteve entre as dez espécies de peixes mais exploradas na região Amazônica. A ficha do ICMBio afirma que quase a totalidade do abastecimento de tambaquis nas feiras, mercados e frigoríficos de Manaus é composta por exemplares oriundos de piscicultura. Tambaqui gigante chama atenção em feira no Amazonas; especialista afirma que peixe é raro Tambaqui já tinha classificação de risco A ficha do órgão registra que, na avaliação nacional realizada em 2014, o tambaqui era classificado como Quase Ameaçado (NT). O histórico do processo de avaliação informa que, na avaliação anterior, fatores como a presença da espécie em áreas protegidas e a oferta abundante de exemplares provenientes de piscicultura foram considerados para atenuar o risco de extinção da espécie no curto período. Na nova avaliação, porém, o documento afirma que, apesar de esses fatores terem sido considerados nas análises, não houve entendimento de que eles pudessem atenuar o risco de extinção, de acordo com as informações consideradas no estudo. Produção de tambaqui. Raquel Maia/Amazônia Agro/Rede Amazônica ‘É mais um alerta para a espécie’, diz professor e biólogo Para o professor e biólogo Edinbergh Caldas de Oliveira, ainda não é possível indicar locais específicos onde haveria uma redução no número de tambaquis na natureza. Segundo ele, não existem dados estatísticos suficientes sobre a pesca ou sobre o volume de desembarque de tambaquis provenientes dos rios. O especialista explica que a avaliação considerou principalmente áreas que não são protegidas por lei, ou seja, que não fazem parte de Unidades de Conservação (UCs) federais e estaduais ou de reservas protegidas. Segundo ele, essas áreas correspondem a cerca de 40% do território amazônico. Por isso, Edinbergh considera a classificação como mais um alerta para a espécie. Ele afirma que ainda não há dados suficientes para determinar uma proibição ou uma liberação completa da pesca do tambaqui. “Não temos estudos populacionais para a bacia como um todo e, com as secas cada vez mais severas nos rios e o aquecimento global, temos que planejar com pesquisas mais apuradas e por área a pesca na bacia”, afirmou. Segundo o professor, existe ainda um prazo de 180 dias para que sejam ajustados os planos de manejo relacionados à exploração da pesca nessas áreas fora do período de defeso. Ele também reforçou que a portaria ainda deverá passar por ajustes. “A portaria terá um tempo para ser ajustada”, afirmou. O que o ICMBio recomenda? Entre as ações de conservação registradas na ficha está a recomendação de uma suspensão temporária de cinco anos na pesca comercial do tambaqui na Amazônia brasileira, seguida de medidas complementares de manejo. O documento também menciona a manutenção de medidas relacionadas a tamanho mínimo e período de defeso.

Fonte: G1

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