Reserva de Desenvolvimento Sustentável é referência em manejo do pirarucu Divulgação A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá completa 30 anos de criação nesta semana, no Amazonas. Primeira unidade de conservação do Brasil a adotar esse modelo, a reserva se tornou referência internacional ao unir a proteção da biodiversidade com a permanência de comunidades tradicionais em seus territórios. Criada para conservar a floresta e garantir o uso sustentável dos recursos naturais, a RDS permite que moradores locais continuem vivendo na área e participem das ações de preservação. O modelo combina conhecimento das comunidades, pesquisa científica e manejo responsável da natureza. Com mais de um milhão de hectares de floresta de várzea, área que fica alagada em determinados períodos do ano, Mamirauá faz parte do Complexo de Conservação da Amazônia Central, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Mundial Natural. A reserva também integra a lista de Áreas Úmidas de Importância Internacional da Convenção de Ramsar. ? Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A criação da reserva foi idealizada na década de 1980 pelo biólogo José Márcio Ayres, um dos principais responsáveis pela proposta. Na época, a criação de áreas protegidas era frequentemente associada à retirada dos moradores locais.
Reserva no Amazonas que virou referência mundial em conservação completa 30 anos
Reserva de Desenvolvimento Sustentável é referência em manejo do pirarucu Divulgação A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá completa 30 anos de criação nesta semana, no Amazonas. Primeira unidade de...
"Naquele momento, a criação de uma unidade de conservação ainda era frequentemente associada à retirada das populações que viviam no território. Mamirauá mostrou que era possível seguir outro caminho: reconhecer as comunidades tradicionais como protagonistas da conservação", explica João Valsecchi do Amaral, diretor-geral do Instituto Mamirauá. Três décadas depois, o modelo de Reserva de Desenvolvimento Sustentável se expandiu e passou a ser adotado em 46 unidades de conservação no Brasil. Manejo do pirarucu e turismo comunitário Um dos principais resultados da atuação em Mamirauá é o manejo participativo do pirarucu. O trabalho reúne pesquisas sobre a espécie e o conhecimento dos pescadores, que fazem a contagem dos peixes antes de cada temporada para definir a quantidade que pode ser capturada. A iniciativa ajudou a recuperar os estoques do pirarucu nas áreas de manejo, onde a população do peixe cresceu mais de 600%. Atualmente, os animais capturados na região têm, em média, 1,80 metro. A metodologia também passou a ser aplicada em outras áreas da Amazônia e em países vizinhos. Além da pesca, a reserva desenvolveu outras formas de geração de renda para as comunidades, como o turismo de base comunitária e o manejo sustentável da floresta. Moradora da reserva desde o nascimento, Ruth Martins acompanhou a mudança entre o período de exploração predatória e o uso sustentável dos recursos naturais. Atualmente, ela trabalha na pousada comunitária Casa do Caboclo. "A pousada é uma fonte de renda familiar e comunitária que nos permite manter a subsistência. Eu quero continuar com a minha cultura, com o meu perfil de ser cabocla e indígena. Eu nasci aqui", destaca Ruth. LEIA TAMBÉM: Maior que o Uruguai: Amazonas tem área protegida do tamanho de um país, mas enfrenta desafio de fiscalização Unidades de conservação e terras indígenas do AM estão entre as mais ameaçadas na Amazônia, diz estudo Amazonas tem mais de 260 mil pessoas vivendo em áreas protegidas, segundo Censo
Esta notícia foi publicada originalmente por G1. Consulte a publicação original para mais detalhes.
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