Greve da CPTM causa transtornos aos moradores do Alto Tietê A greve dos funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) entrou no segundo dia nesta quarta-feira (5). Com a paralisação, passageiros do Alto Tietê que utilizam as linhas 11-Coral e 12-Safira voltaram a enfrentar filas e mudanças de trajeto. A greve começou à 0h de terça-feira (4). Em Poá, quem precisou ir ao trabalho enfrentou filas para embarcar nos ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese). Passageiros tentam entrar em ônibus do sistema Paese em Poá Maiara Barbosa/TV Diário Por volta das 7h30, os passageiros formavam fila na passagem subterrânea próxima à estação da CPTM de Poá para embarcar nos ônibus do Paese. Os coletivos passavam, em média, a cada cinco minutos, mas já saíam lotados tanto no sentido de Guianases, na Zona Leste de São Paulo, quanto em direção à estação Estudantes, em Mogi das Cruzes. ? Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp O autônomo Renato Santana chegou à estação da CPTM de Poá às 6h20 para seguir de trem até São Paulo. Na terça-feira (4), ele não conseguiu trabalhar por causa da greve. "Eu tô esperando abaixar um pouco a poeira hoje, deu uma abaixada aqui no movimento, esperar o Paese o mais vazio possível pra estar indo, né? Eu sou autônomo, então é uma coisa que dá um prejuízo muito grande, entendeu? " Renato também reclamou da falta de informações aos passageiros sobre as alternativas de transporte. ASSISTA: g1 acompanha a situação dos trens de SP em tempo real "A gente trabalha todo dia, a gente acorda de manhã, 4 horas, 5 horas da manhã, pra estar indo trabalhar, buscar o sustento, infelizmente esse descaso, né? A gente precisa do mínimo de informação possível e não tem." Por volta das 8h15, o movimento de passageiros à espera dos ônibus diminuiu. Mesmo assim, quem conseguiu embarcar viajou em coletivos lotados Passageiros enfrentam superlotação em ônibus do Paese em Poá Maiara Barbosa/TV Diário Descumprimento de descisão A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) informou que apenas três dos 126 maquinistas necessários para operar as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade compareceram ao trabalho na manhã desta quarta-feira (5), segundo dia da greve dos ferroviários em São Paulo. De acordo com a empresa, o número representa menos de 3% do total de profissionais necessários para a operação. Em nota, a CPTM afirmou que o efetivo total nas três linhas era de 47% às 7h, horário de pico, percentual abaixo dos 80% determinados pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Segundo a companhia, a decisão judicial voltou a ser descumprida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil. Para manter parte da operação, a CPTM informou que acionou seu plano de contingência. Ao todo, 23 supervisores assumiram a condução das composições para garantir a oferta de transporte aos passageiros. Na terça-feira, primeiro dia da paralisação, o presidente da CPTM já havia afirmado ao g1 que o sindicato não cumpria a decisão do TRT, que determinou a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, a Justiça fixou multa diária de R$ 400 mil ao sindicato. Greve A paralisação começou na terça-feira (4), e atinge as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, além do Expresso Aeroporto. Desde 24 de julho, essas linhas voltaram a ser operadas pela CPTM, que retomou temporariamente o serviço após a saída da concessionária Trivia Trens. A greve foi deflagrada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, que é contrário ao processo de concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. A categoria reivindica garantias para os trabalhadores durante a transição da operação para a iniciativa privada. No Alto Tietê, a Linha 11-Coral atende as estações Estudantes, Mogi das Cruzes, Brás Cubas e Jundiapeba, em Mogi das Cruzes; Suzano, em Suzano; Poá e Calmon Viana, em Poá; e Antonio Gianetti Neto e Ferraz de Vasconcelos, em Ferraz de Vasconcelos. Já a Linha 12-Safira atende Calmon Viana, em Poá, e Aracaré, Itaquaquecetuba e Engenheiro Manoel Feio, em Itaquaquecetuba. Segundo a CPTM, um plano de contingência foi acionado para reduzir os impactos aos passageiros. A companhia informou ainda que recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento da decisão, o sindicato poderá ser multado em R$ 400 mil por dia. A greve foi decidida em assembleia realizada na segunda-feira (3). Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, a paralisação é contra a privatização das linhas e também em defesa da manutenção dos empregos dos funcionários. Reivindicações da categoria Os empregados da CPTM em greve reivindicam a reestatização definitiva das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, a garantia de todos os empregos na CPTM e a aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), com o apoio do governo. Funcionários em greve da CPTM pedem garantia de emprego para 4.700 empregados O texto do PL é do deputado Guilherme Cortez (PSOL) e prevê a absorção dos funcionários da estatal por órgãos da administração pública estadual após concessões. O sindicato não deu prazo para o fim da greve. Segundo o Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) – que representa os 4.700 empregados da CPTM – apenas 11% dos funcionários da CPTM nas três linhas concedidas foram transferidos para a nova empresa privada. Assista a mais notícias do Alto Tietê