SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa registra forte queda nesta sexta-feira (24), pressionada pelo recuo dos preços do petróleo, que desvaloriza as ações das petrolíferas brasileiras em meio à guerra no Oriente Médio.
Bolsa e dólar recuam com petróleo e tarifas dos EUA sobre o Brasil no radar
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa registra forte queda nesta sexta-feira (24), pressionada pelo recuo dos preços do petróleo, que desvaloriza as ações das petrolíferas brasileiras em meio à guerra no Oriente Médio....
Durante o pregão, investidores também avaliam o impacto das novas tarifas aplicadas sobre o Brasil de 12,5% por supostas falhas no combate à importação de produtos feitos com o uso de trabalho forçado.
Às 12h, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, recuava 1,04%, aos 174.876 pontos. No mesmo horário, o dólar cedia 0,46%, a R$ 5,060.
Nesta sexta, o ambiente é de maior cautela global diante da guerra no Oriente Médio e das tarifas dos EUA sobre o Brasil.
Mísseis dos Estados Unidos atingiram alvos em todo o Irã, chegando até a costa do Mar Cáspio, nesta sexta-feira, depois que Donald Trump disse estar "considerando um ataque maciço, maior do que nunca" contra a teocracia.
A ofensiva é uma resposta aos ataques dos houthis, grupo militante do Iêmen aliado do Irã, a embarcações que tentavam chegar à Arábia Saudita pelo Mar Vermelho. A rota se tornou estratégica para o escoamento do petróleo após o início do conflito no Golfo Pérsico.
O agravamento do conflito aumenta a cautela dos investidores e reduz o apetite por ativos de mercados emergentes, o que pressiona o desempenho da Bolsa.
A guerra também influencia os preços do petróleo, embora, nesta sexta-feira, as cotações passem por um ajuste. O barril do Brent, referência mundial da commodity, recua durante o pregão após registrar forte alta na quinta-feira.
Por volta das 11h, o Brent era negociado a US$ 96,29, queda de 4,37%. O recuo fazia com que as ações de Petrobras, Prio e PetroRecôncavo recuassem até 2,29% no começo desta tarde. Na quinta-feira, o barril chegou a US$ 101,99, o maior valor desde 20 de maio, e gerou a alta dos papéis.
A queda nos preços também repercutia no mercado de juros futuros. A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 caía para 14,255%, recuo de 11 pontos-base em relação aos 14,370% do ajuste da sessão anterior.
As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.
O dólar também passa por ajuste na sessão após subir 0,62%, a R$ 5,084, na véspera. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, recua 0,10% depois de avançar 0,30% na quinta.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o conflito no Oriente Médio fortalece ativos considerados de segurança. Desde o início do conflito, em fevereiro, o DXY acumula valorização de mais de 3%.
"Em cenários de incerteza, ocorre um movimento de fuga de capital. Nele, os investidores tendem a liquidar suas posições em emergentes, como o Brasil, e migrar seus recursos para o mercado americano", afirma.
O mercado dos EUA também atrai investidores pelos Treasuries, títulos da dívida pública do país, considerados um dos ativos mais seguros do mundo.
No mercado de ações americano, a Nasdaq avança 0,17%, enquanto o S&P 500 e o Dow Jones sobem 0,63% e 0,73%, respectivamente.
A política tarifária dos EUA também se mantém no radar dos analistas do mercado financeiro.
Na quinta-feira, o governo norte-americano decidiu aplicar uma tarifa de 12,5% ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio, em uma investigação sobre falhas no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado. A medida passou a ser aplicada à 1h01 desta sexta-feira (horário de Brasília).
A taxa se soma à de 25%, anunciada na semana passada (21), sobre diversos produtos brasileiros em razão de práticas comerciais supostamente desleais do país.
"Embora a parte importante da pauta exportadora tenha permanecido fora das medidas anunciadas, o mercado passa a incorporar um prêmio adicional de risco, especialmente diante da ausência de avanços concretos nas negociações entre os dois países", afirma Marcio Riauba, head da mesa de operações da StoneX.
A lista dos produtos brasileiros isentos dessa nova tarifa tem mais de 2.100 itens e é, na maior parte, idêntica ao que foi excluído da sobretaxa de 25%. Mais de 2.000 produtos aparecem nas duas, incluindo petróleo, carnes, suco de laranja e café instantâneo.
Outros 60 parceiros comerciais dos EUA também foram afetados, com taxas que variam de 10% a 12,5%. Juntos, respondem por 99,4% das importações do país.
As tarifas foram aplicadas com base na Seção 301, que autoriza o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos a investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano e adotar medidas retaliatórias, tarifárias ou não.
Leia Também: Familiares não devem sacar benefício do INSS após falecimento do segurado; veja o que fazer
Esta notícia foi publicada originalmente por Noticias ao Minuto - Economia. Consulte a publicação original para mais detalhes.
Abrir publicação original