Um conselheiro sénior de muitos dos líderes da nova vaga de extrema-direita da América Latina foi preso por alegadamente ser o mentor da tentativa de homicídio da sua namorada.
Conselheiro de líderes latino-americanos de extrema direita é preso por supostamente conspirar para matar namorada
Um conselheiro sénior de muitos dos líderes da nova vaga de extrema-direita da América Latina foi preso por alegadamente ser o mentor da tentativa de homicídio da sua namorada. O empresário e consultor político Fernando Cerimedo, 42 anos,...
Ele já foi descrito como o homem de Maga na América Latina – uma referência ao movimento Make America Great Again de Donald Trump – e é creditado por ter ajudado a garantir o endosso do presidente dos EUA ao direitista Nasry “Tito” Asfura, que venceu as eleições presidenciais de Honduras em dezembro. Na manhã de terça-feira, Cerimedo pousou em Santa Cruz de...
- Na manhã de terça-feira, Cerimedo pousou em Santa Cruz de la Sierra e foi preso antes de embarcar em outro voo supostamente com destino a Buenos Aires, Argentina.
- Segundo a polícia, ele foi detido sob suspeita de ordenar o ataque a tiros à advogada boliviana Nadia Beller, que, segundo a mídia local, mantinha um relacionamento com Cerimedo – que é...
- Imagens de vigilância mostraram dois homens vestidos como entregadores e usando capacetes abrindo fogo contra Beller na noite de segunda-feira em frente a um hotel em Santa Cruz de la...
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O empresário e consultor político Fernando Cerimedo, 42 anos, trabalhava como assessor do presidente boliviano, Rodrigo Paz Pereira, e foi um dos principais estrategistas da campanha de Javier Milei nas eleições presidenciais argentinas de 2023.
Ele já foi descrito como o homem de Maga na América Latina – uma referência ao movimento Make America Great Again de Donald Trump – e é creditado por ter ajudado a garantir o endosso do presidente dos EUA ao direitista Nasry “Tito” Asfura, que venceu as eleições presidenciais de Honduras em dezembro.
Na manhã de terça-feira, Cerimedo pousou em Santa Cruz de la Sierra e foi preso antes de embarcar em outro voo supostamente com destino a Buenos Aires, Argentina. Segundo a polícia, ele foi detido sob suspeita de ordenar o ataque a tiros à advogada boliviana Nadia Beller, que, segundo a mídia local, mantinha um relacionamento com Cerimedo – que é casado – desde o ano passado.
Imagens de vigilância mostraram dois homens vestidos como entregadores e usando capacetes abrindo fogo contra Beller na noite de segunda-feira em frente a um hotel em Santa Cruz de la Sierra. Ela sobreviveu e foi levada ao hospital.
Beller disse à polícia que foi atraída para o hotel depois de receber mensagens anônimas prometendo entregar provas de supostos crimes cometidos pelo ex-presidente de esquerda da Bolívia, Evo Morales, que está sujeito a dois mandados de prisão pendentes e permanece abrigado em uma região de cultivo de coca.
Beller disse acreditar que o ataque foi uma armadilha orquestrada por Cerimedo.
O comandante da polícia local, coronel David Gómez, disse à mídia local que os investigadores estavam trabalhando na hipótese de que Beller e Cerimedo tiveram um relacionamento amoroso e tiveram “uma disputa pessoal” nos dias anteriores ao ataque.
O advogado de Cerimedo, Ernesto Giraldes, disse que seu cliente não estava tentando fugir para a Argentina e viajou para Santa Cruz de la Sierra especificamente para visitar Beller no hospital e negou que estivesse por trás do ataque.
O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, disse que Cerimedo atuou como “consultor pessoal” de Paz Pereira, mas não ocupou um cargo governamental. O presidente boliviano expressou “solidariedade” a Beller e postou no X que seu governo ofereceria “interferência zero” na investigação.
Cerimedo teve um papel proeminente na estratégia de campanha de Milei e gabou-se de ter sido ele quem sugeriu que o autoproclamado libertário levasse uma motosserra para comícios de campanha, mas nunca ocupou um cargo no governo argentino.
No Brasil, Cerimedo foi indiciado pela Polícia Federal por seu suposto envolvimento na tentativa de golpe liderada pelo ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro.
Em 2022, cinco dias depois de Luiz Inácio Lula da Silva ter vencido as eleições e de Bolsonaro ter se recusado a ceder e traçado formas de permanecer no poder, Cerimedo realizou uma transmissão ao vivo intitulada “O Brasil foi roubado”, na qual apresentou um dossiê anônimo contendo falsas alegações sobre a votação.
A Polícia Federal do Brasil concluiu posteriormente que se tratou de uma operação premeditada, coordenada com oficiais militares brasileiros e assessores de Bolsonaro, que forneceram o relatório a Cerimedo. Os promotores, no entanto, recusaram-se a apresentar acusações contra ele, dizendo que os investigadores não conseguiram produzir provas que demonstrassem que Cerimedo sabia que o relatório continha informações fabricadas.