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Meta estaria testando robôs para operar data centers, diz revista

Meta O CEO Mark Zuckerberg faz um discurso durante o evento Meta Connect em Menlo Park REUTERS/Carlos Barria A Meta, gigante de tecnologia de Mark Zuckerberg, estaria testando robôs para conduzir tarefas de manutenção dentro de data...

Meta estaria testando robôs para operar data centers, diz revista
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Os trabalhadores avaliaram a performance dos robôs e também disseram à reportagem temer a substituição de empregos. Segundo uma das fontes ouvidas pela revista, a estimativa é que um dos robôs, treinado para trocar cabos de rede e atualmente testado pela Meta, possa substituir até 80% da carga de trabalho de algumas pessoas.

  • "Pensávamos que nós, que realizávamos as tarefas físicas, estaríamos seguros por um tempo, mas não mais", disse o funcionário à Wired.
  • "Infelizmente, isso vai afetar a todos nós." Uma das máquinas em fase de testes é a Kinova Gen3, cujo braço robótico poderá ser usado para reiniciar ou cortar a energia de servidores.

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Meta O CEO Mark Zuckerberg faz um discurso durante o evento Meta Connect em Menlo Park REUTERS/Carlos Barria A Meta, gigante de tecnologia de Mark Zuckerberg, estaria testando robôs para conduzir tarefas de manutenção dentro de data centers. Diversos funcionários da empresa, em condição de anonimato, conversaram com a revista norte-americana Wired. Os trabalhadores avaliaram a performance dos robôs e também disseram à reportagem temer a substituição de empregos. Segundo uma das fontes ouvidas pela revista, a estimativa é que um dos robôs, treinado para trocar cabos de rede e atualmente testado pela Meta, possa substituir até 80% da carga de trabalho de algumas pessoas. "Pensávamos que nós, que realizávamos as tarefas físicas, estaríamos seguros por um tempo, mas não mais", disse o funcionário à Wired. "Infelizmente, isso vai afetar a todos nós." Uma das máquinas em fase de testes é a Kinova Gen3, cujo braço robótico poderá ser usado para reiniciar ou cortar a energia de servidores. Atualmente, além da Kinova, a Meta já utiliza robôs e equipamentos de fornecedores como a Watney Robotics e ABB. Entre as funções em avaliação estão a habilidade dos robôs em manejar servidores e conectar cabos. A Meta, segundo a Wired, recusou-se a comentar os testes descritos na reportagem. O porta-voz da empresa, Francis Brennan, afirmou em comunicado que a companhia está investindo fortemente em treinamento e contratação de funcionários para os data centers. "Os Estados Unidos estão vivenciando o maior boom de infraestrutura desde a Segunda Guerra Mundial, e há uma grande escassez de trabalhadores qualificados para preencher as vagas; precisamos de mais trabalhadores, não menos", disse o porta-voz da Meta à Wired. A revista aponta, no entanto, que em 2025 um executivo da Meta, Eric Xu, teria afirmado que os objetivos "de longo prazo" da empresa são inserir robôs em data centers. O argumento de Xu, gerente sênior de robótica da companhia, é que os robôs podem acelerar a resposta a acidentes, monitorar o ambiente e fazer manutenção preventiva nos espaços controlados.

Mudança de mercado e laboratórios de testes pelos EUA Segundo a Wired, a Meta já utiliza robôs em alguns de seus data centers. O principal 'laboratório de testes' é o data center de Altoona, em Iowa, nos EUA. Porém, outras localidades, como o centro de New Albany, Ohio, também estariam passando por testes com robôs. Em Iowa, o robô avaliado tem dois braços e faz trabalhos de cabeamento. Em Ohio, a reportagem cita testes com um robô de quatro rodas "com uma plataforma elevatória tipo uma tesoura e um braço de seis eixos na parte superior". A máquina é usada, segundo a Wired, para reinstalar peças e, eventualmente, poderá assumir outras tarefas com supervisão humana cada vez menor. A reportagem ainda explica que, até recentemente, os robôs não eram vistos como adequados para trabalhar em data centers. Entre os motivos estavam os altos custos e a falta de habilidade dos robôs para tarefas simples. Mas, segundo a reportagem, o mercado mudou. Fontes apontaram à Wired que o hardware ficou mais barato e o desenvolvimento da IA que alimenta os robôs acelerou. O número de startups dedicadas à construção de robôs comerciais capazes de substituir cabos, montar servidores e trocar peças também aumentou. Robôs, aponta a revista, poderiam oferecer uma produção mais otimizada a um custo menor do que a mão de obra humana. A solução seria direcionada, especialmente, a regiões menos populosas, onde data centers são abundantes, mas faltam trabalhadores qualificados. Um dos argumentos defendidos pelos entusiastas da robótica à Wired é que os robôs poderiam ajudar o trabalhador: as máquinas se ocupam das tarefas repetitivas e perigosas dos técnicos de data centers, liberando os humanos para desafios mais complexos. Outra hipótese apontada à reportagem é que, com a mão de obra de robôs, seria possível o advento de, por exemplo, data centers subaquáticos, no espaço ou em ambientes inóspitos para seres humanos. SAIBA MAIS Musk quer levar data centers ao espaço, mas especialistas veem grandes obstáculos Temor de funcionários e isenções fiscais A empreitada dos robôs não é livre de críticas. Trabalhadores de data centers da Meta disseram à Wired que temem que seus empregos sejam substituídos ou precarizados, apesar do discurso pró-trabalhador proposto pelas empresas. “Eles não querem mais pessoas que consigam pensar de forma independente, apresentar soluções criativas ou realizar diagnósticos complexos”, disse um funcionário de um centro de dados da Meta à Wired. “Eles querem ‘mãos inteligentes’, pessoas que sejam capazes apenas de seguir instruções de IA sem cometer erros”, afirmou. Além disso, as fontes ouvidas pela reportagem destacaram que a Meta tem recebido benefícios fiscais em troca de construir data centers em determinados estados americanos. Por trás da isenção fiscal estaria a geração de empregos para os residentes locais e o prestígio trazido pela Meta às regiões em que opera os centros. Um dos exemplos citados na reportagem é o data center da cidade de Altoona, em Iowa, nos EUA. A empresa, que inaugurou o centro em 2014, desde então teria economizado milhões de dólares em imposto predial. No entanto, o uso crescente de robôs pode, segundo a reportagem, comprometer a contratação de novos funcionários humanos e fazer o subsídio perder a razão de existir. O prefeito de Altoona, Dean O'Connor, disse à revista que não pensou muito sobre a possibilidade de robôs substituírem empregos no data center da Meta, embora considere a revolução inevitável. "Vamos lidar com isso conforme for acontecendo", afirmou.