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Manaus tem o mês de agosto mais seco dos últimos 40 anos, segundo Inmet

Cúpula do Teatro Amazonas aparece encoberta por tons de laranja em manhã de calor intenso em Manaus Alcides Neto O mês de Agosto em Manaus foi o mais seco dos últimos 40 anos, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). O...

Manaus tem o mês de agosto mais seco dos últimos 40 anos, segundo Inmet
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A única chuva registrada em Manaus em agosto deste ano ocorreu no dia 22, após semanas de calor intenso e tempo seco na capital amazonense. O fenômeno trouxe alívio momentâneo, mas não foi suficiente para alterar significativamente o acumulado de chuva do mês.

  • O fenômeno El Niño é um dos principais fatores que influenciam as altas temperaturas e a escassez de chuvas.
  • O g1 entrevistou o meteorologista e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Senna, que explicou que o fenômeno já era esperado e tem impactos na formação...

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Cúpula do Teatro Amazonas aparece encoberta por tons de laranja em manhã de calor intenso em Manaus Alcides Neto O mês de Agosto em Manaus foi o mais seco dos últimos 40 anos, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). O volume de chuva registrado no mês foi de 2,4 milímetros. A média ficou atrás somente de Agosto de 1986, que teve 1,6 milímetros de chuva durante todo o mês. A única chuva registrada em Manaus em agosto deste ano ocorreu no dia 22, após semanas de calor intenso e tempo seco na capital amazonense. O fenômeno trouxe alívio momentâneo, mas não foi suficiente para alterar significativamente o acumulado de chuva do mês. O fenômeno El Niño é um dos principais fatores que influenciam as altas temperaturas e a escassez de chuvas. O g1 entrevistou o meteorologista e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Senna, que explicou que o fenômeno já era esperado e tem impactos na formação de nuvens e no volume de precipitações na região. ? Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Segundo o pesquisador, a redução das chuvas entre julho e setembro já era prevista, mas os efeitos do El Niño começaram a ser sentidos de forma mais evidente em agosto. “Já era esperada a redução do volume de chuvas para esses meses de julho, agosto e setembro. Porém, neste mês de agosto, a gente já sente a influência do El Niño sobre essa região aqui. Há subsidência de ar, pouca formação de nuvens e, por consequência, volumes muito baixos de precipitação”, explicou Renato.

O pesquisador também relacionou o fenômeno à ocorrência de ondas de calor na Amazônia e aos impactos sobre o nível dos rios. Segundo ele, o cenário pode se aproximar do registrado em 2023, quando a região enfrentou calor intenso e uma forte estiagem. “Quando a gente tem o El Niño acoplado, como um evento de acoplamento entre o oceano e a atmosfera, a gente tem associadas, na região amazônica, ondas de calor. Em 2023, a gente teve diversas ondas de calor e um impacto muito importante sobre o comportamento dos rios, fazendo com que eles descessem abruptamente, principalmente nos meses de setembro e outubro. Alguma coisa parecida com o que a gente viu em 2023 a gente espera agora”, afirmou. Renato Senna destacou ainda que o Rio Negro já apresenta um comportamento semelhante ao observado em 2023 e avaliou que os efeitos do fenômeno podem se estender para outras bacias da região. “O Rio Negro, desde julho, já tem um comportamento muito similar ao que a gente viu em 2023, no movimento de descida das águas. O El Niño, que nós tínhamos visto se acoplar em julho, se estende para as bacias da margem direita, na região do Tapajós, Xingu, rio Abacaxis, e provavelmente vai acelerar a descida das águas.” Tendência deve atrasar período de chuvas Para os próximos meses, a previsão é de que a influência do El Niño continue afetando o regime de chuvas na região. De acordo com Renato Senna, os principais institutos internacionais apontam que o fenômeno deve se estabelecer e atingir seu ápice entre outubro e dezembro. “Para setembro, tudo indica, nesse momento, que essa tendência segue. Não só em setembro, mas segue até o final do ano. A grande maioria dos institutos internacionais indica o El Niño se estabelecendo e chegando ao seu ápice em outubro, novembro e dezembro”, explicou. Com isso, o início da estação chuvosa pode sofrer atraso na Amazônia. O aumento da frequência das chuvas, principalmente aquelas pancadas rápidas características do período de transição entre a estação seca e chuvosa, costuma ocorrer entre meados de outubro e novembro. “Isso provavelmente vai atrasar o início da estação chuvosa no último trimestre de outubro, novembro e dezembro na região como um todo. Lá para meados de outubro e início de novembro são esperados o aumento da frequência de chuvas, as pancadas rápidas que a gente tem na estação de transição em outubro e novembro principalmente. A gente vai ter um atraso dessa condição, e dias muito quentes podem vir nos próximos meses.” Altas temperaturas Em Manaus, o mês de agosto também foi marcado por uma sequência de dias de extremo calor e recorde de temperatura. Nesta segunda-feira (31), a maior temperatura do ano, de 37,3ºC, foi alcançada. A máxima foi alcançada cinco dias depois do último recorde quebrado, de 37,1ºC, no dia 25 de agosto. Dias mais quentes de 2026: 31 de agosto: 37,3 º 25 de agosto: 37,1º 26 de agosto: 36,9º 11 de agosto: 36,3º 10 de agosto: 36,2º A previsão é que no mês de setembro o calor intenso continue. O esperado é pelo menos um grau e meio acima da média registrada em todo o mês de agosto. No Amazonas, os munícipios mais afetados serão Manaus, Parintins e Nhamundá. Ainda nesta semana, a terça e quarta-feira (2) seguem com máximas por volta dos 37ºC.