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Xi defende pacto militar de países do Oriente Médio

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O líder chinês Xi Jinping declarou nesta quarta-feira (2) apoio à iniciativa de países do Oriente Médio de formar uma aliança militar independente, posicionando a potência asiática quando a...

Xi defende pacto militar de países do Oriente Médio
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O líder chinês Xi Jinping declarou nesta quarta-feira (2) apoio à iniciativa de países do Oriente Médio de formar uma aliança militar independente, posicionando a potência asiática quando a região é remodelada geopoliticamente pela guerra dos Estados Unidos com o Irã. Xi está no Cairo para uma visita de Estado, a primeira que...

Pontos principais

  • SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O líder chinês Xi Jinping declarou nesta quarta-feira (2) apoio à iniciativa de países do Oriente Médio de formar uma aliança militar independente, posicionando...
  • Xi está no Cairo para uma visita de Estado, a primeira que faz à região desde o fim de 2024, pouco antes da volta de Donald Trump ao poder na Casa Branca.
  • Ele foi recebido pelo ditador Abdel Fattah al-Sisi, ator central no jogo de poder do Oriente Médio.

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Esta matéria faz parte da cobertura de Mundo. A fonte original identificada na página é Noticias ao Minuto. Data da publicação: 2 de setembro de 2026 às 09:48.

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O líder chinês Xi Jinping declarou nesta quarta-feira (2) apoio à iniciativa de países do Oriente Médio de formar uma aliança militar independente, posicionando a potência asiática quando a região é remodelada geopoliticamente pela guerra dos Estados Unidos com o Irã.

Xi está no Cairo para uma visita de Estado, a primeira que faz à região desde o fim de 2024, pouco antes da volta de Donald Trump ao poder na Casa Branca. Ele foi recebido pelo ditador Abdel Fattah al-Sisi, ator central no jogo de poder do Oriente Médio.

Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, o líder afirmou que "os povos do Oriente Médio devem ser os mestres de seus próprios assuntos", e que "a interferência externa deve ser rejeitada" -no caso, claro, a americana.

Xi afirmou que "a China apoia países da região na construção de uma nova arquitetura de segurança", referência direta ao Acordo de Meca, pacto militar inédito que uniu Turquia, Arábia Saudita e Paquistão no dia 7 do mês passado.

A aliança é o mais eloquente sinal das mudanças que começaram a ganhar corpo quando os terroristas palestinos do Hamas atacaram Israel em 2023, disparando uma guerra regional que enfraqueceu a rede de apoio construída pelo Irã, então mais agressivo país da região.

O pacto é uma resposta à realidade criada após o ataque dos Estados Unidos, com apoio do Estado judeu, à teocracia. A guerra, algo adormecida desde julho, voltou nesta terça (1º) a registrar ataques mútuos entre americanos e iranianos.

As potências muçulmanas, inclusive o nuclear Paquistão, querem mostrar unidade ante as retaliações de Teerã contra os vizinhos aliados dos EUA, mas principalmente fazer frente ao poderio militar crescente de Israel.

Com efeito, o Estado judeu já se estranhou com os rivais turcos na Síria, país em que uma ditadura hostil a Tel Aviv apoiada pelo Irã foi substituída por um regime liderado por rebeldes jihadistas igualmente refratários ao Estado judeu com o apoio de Ancara.

Trump até aqui havia elogiado o pacto militar, até porque ele coaduna com sua Estratégia de Segurança Nacional de 2025, que prega o desengajamento americano de regiões em crise, deixando para os atores locais questões de defesa.

O problema para o americano é que isso pressupõe que os tais atores locais sejam seus aliados, e aí começa a dificuldade de colocar à mesa rivais como Israel e os integrantes do Acordo de Meca.

A aproximação que Trump trabalhava desde 2020 entre os governos da região e Tel Aviv foi erodida com a destruição da Faixa de Gaza no pós-2023.

Xi então tocou violino para o anfitrião, reafirmando apoio à causa palestina e dizendo que ela permanece uma questão central para a paz no Oriente Médio. Com isso, remete justamente à solidariedade retórica com os palestinos vigente na região, em oposição à aliança de Trump com Binyamin Netanyahu.

Xi vinha tentando entrar no jogo do Oriente Médio nos últimos anos, tendo mediado uma aproximação entre sauditas e iranianos. Mas a confusão atual deixou os chineses, sem musculatura militar na região, de lado.

Pior para Pequim, que era destino de 90% do petróleo barato do Irã, vendido por meio de atravessadores como a Malásia. Os chineses, com grandes reservas, têm suportado a crise de preços com o fechamento do estreito de Hormuz, mas pressionam por uma saída diplomática rápida.

Como ela não vem, Xi foi ao Egito tentar assento na nova realidade. A ditadura local é cortejada pelos membros do Acordo de Meca para integrar o time, o que daria peso militar e político literalmente cercando Israel -apesar de os países terem relações normalizadas.

Além da questão energética, a China tem no Oriente Médio seu principal destino de investimentos de seu projeto de expansão econômica, apelidado de Nova Rota da Seda. Em 2024, houve um salto de 100% nas operações, com US$ 39 bilhões chineses aplicados na região.

Na via contrária, fundos soberanos de países como os Emirados Árabes Unidos foram responsáveis por 60% da entrada de capital externo na China no mesmo ano, segundo dados do governo em Pequim.

O Egito em si tem uma fatia pequena do jogo, com cerca de US$ 8 bilhões chineses investidos em infraestrutura, mas sua importância é política e estratégica: o país opera o canal de Suez, rota por onde passa a maioria das exportações chinesas para a Europa.

Para a segunda economia do mundo, investimento direto no exterior é mais um instrumento geopolítico, dado que em 2025 ele representou 0,2% do PIB do país. Pequim vive de exportar, e por isso uma posição firme no centro de fornecimento de insumos energéticos para sua indústria e na rota por onde passa o comércio estratégico é vital.

Fonte: Noticias ao Minuto

Esta notícia foi publicada originalmente por Noticias ao Minuto. Consulte a publicação original para mais detalhes.

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