"Eu acho que é bom fazer parte de uma comunidade" é como o garoto rico de Manhattan, Balthazar (Jaeden Martell), justifica seu hobby favorito: postar vídeos encharcados de lágrimas nos quais ele sociopaticamente finge fazer parte da horda de jovens americanos lamentando a epidemia nacional de violência armada. O produtor de longa data dos irmãos Safdie, Oscar Boyson, traz esse tipo de atitude escabrosa - não apenas para tiroteios em escolas, mas para mídias sociais, "incel", autoajuda e culturas de vendedores dos EUA - neste Comédia negra contorcida e enérgica que lembra a sátira libertária dos primeiros filmes de Jason Reitman.
Crítica de Nosso Herói, Balthazar – uma sátira sombria e cômica da cultura incel e da violência armada
"Eu acho que é bom fazer parte de uma comunidade" é como o garoto rico de Manhattan, Balthazar (Jaeden Martell), justifica seu hobby favorito: postar vídeos encharcados de lágrimas nos quais ele sociopaticamente finge...
Balthazar está tentando impressionar sua paixão, Eleanor (Pippa Knowles), com quem desempenha com entusiasmo o papel de vítima em exercícios de tiroteio em escolas. Depois que ele desperdiça suas chances ao tentar ficar com ela enquanto mostra a filmagem do último massacre, ele melhora seu jogo. Evitar o próximo banho de sangue provaria verdadeiramente seu compromisso com a causa, e um incel troll chamado deathdealer_16, que o está provocando em seu bate-papo, parece estar pronto para explodir. Pescando-o fazendo-se passar por uma linda donzela da internet, Balthazar marca um encontro na vida real.
Deathdealer_16 é Solomon (Asa Butterfield), um texano que mora em um trailer com sua avó, nada satisfeito em ver Balthazar. Mas os dois iniciam uma amizade, com Balthazar obcecado pelo campo de tiro e Solomon ansioso para provar ao nova-iorquino que há mais nele do que futilidade incel. Atingindo um tom homoerótico (“Espere para ver o resto do que estou embalando”, diz Solomon depois de revelar sua pistola porta-luvas), o filme é mais forte ao descrever essa interdependência incômoda. É uma farsa da incompreensão mútua e do fascínio entre a América liberal e o estado vermelho, sugerindo que a resignação e a glorificação da violência armada não estão tão distantes.
Em outros lugares, a sátira de Boyson pode ser um pouco flagrante, como acontece com os comícios motivacionais no estilo Magnólia, organizados pelo pai de Solomon (Chris Bauer), e excessivamente difundida em seu grande número de alvos. Porém, não é sem uma piada estranha, como Balthazar clonando a voz de sua mãe para conversar com Solomon, que em troca envia fotos do pau de seu pai, estrela pornô.
O filme se esforça para chegar a um clímax adequadamente calamitoso, porém, e o foco se concentra demais no incel. Esta é uma boa notícia para Butterfield, que mostra sua capacidade de mudar da infelicidade desleixada para a postura do bom e velho menino, mas nem tanto para Martell, igualmente impressionante em sua fuligem. Os dois formam uma dupla cativante: uma declaração bipartidária da incompetência americana.
Nosso herói, Balthazar estará nos cinemas do Reino Unido em 16 de julho.