Anuário da Segurança: feminicídios batem recorde,taxa de assassinatos é a menor desde 2012 As dez cidades com menos registros de mortes violentas do Brasil em 2025 estão divididas entre São Paulo e Santa Catarina. Os estados têm as menores taxas de mortes por grupo de 100 mil habitantes no país, segundo dados do Anuário de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A edição de 2026 foi divulgada na quinta-feira (23). ?Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A liderança é de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, com 1,2 morte registrada a cada 100 mil habitantes. Em seguida aparece Tubarão, em Santa Catarina, com 1,7 morte por 100 mil habitantes. Ao todo, sete municípios paulistas e três catarinenses figuram entre as dez menores taxas de mortalidade. ? São classificadas como mortes violentas intencionais: homicídios dolosos (com intenção de matar), feminicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte), lesões corporais seguidas de morte e mortes cometidas por policiais. Veja o ranking de menores taxas: Lista mostra os dez municípios com menores taxas de mortes violentos no país em 2025 Arte/g1 Veja ao final deste texto a lista com as taxas de todos os 338 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, da menor para a maior taxa. LEIA TAMBÉM: Feminicídios batem recorde; assassinato tem o menor número em 13 anos David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, avalia que São Paulo é um exemplo de "redução profunda e muito significativa" nas taxas de crimes violentos desde os anos 2000, enquanto Santa Catarina tem o tamanho de seu território e políticas de segurança entre os fatores que contribuem para a melhora de um ponto na taxa de mortes violentas. "São bons indicativos. O caso de São Paulo é muito bem conhecido já, mas o caso de Santa Catarina pode ser mais bem explorado, mais bem conhecido do ponto de vista da política de segurança pública, do contexto criminal, das dinâmicas criminais organizadas, que podem ajudar a iluminar alguns caminhos possíveis também para o restante do país", avalia. O especialista comemora o cenário "positivo" e "alinhado com a redução geral da violência letal no Brasil", com Santa Catarina e São Paulo na disputa de ser o estado com menor taxa de mortes violentas -- o estado do Sul passou a ter a menor taxa de mortes neste ano ao superar São Paulo, que liderava o ranking desde 2014 (leia mais abaixo). "A gente já teve essa 'rivalidade' com relação a essa taxa de homicídios. Se pegarmos as edições do anuário, sempre vamos encontrar esses dois estados [SP e SC] entre as menores taxas de mortes violentas intencionais", diz o especialista. Municípios mais violentos do país Por outro lado, todas as dez cidades com maiores taxas de mortes violentas intencionais estão no Nordeste. A metade está na Bahia, outros três no Ceará, um em Pernambuco e um na Paraíba. A liderança do ranking permanece com Maranguape (CE), município mais violento em 2025: são 100,3 mortes violentas intencionais cometidas a cada 100 mil habitantes, uma alta em comparação às 80 por 100 mil registradas em 2024. Brasil atinge meta de redução de homicídios para 16 mortes a cada 100 mil habitantes Três cidades da Bahia estão entre as cinco primeiras: Eunápolis, em segundo (taxa de 85,1), Porto Seguro, em quarto (71,2) e Simões Filho, em quinto (68,1). Veja o ranking de maiores taxas: Lista mostra os dez municípios mais violentos do país em 2025 Arte/g1 Santa Catarina é o estado menos violento; Amapá é o mais Entre os estados, Santa Catarina passou a ter a menor taxa de mortes violentas do país: 7,6 a cada 100 mil habitantes. Com o número, o estado do Sul substitui São Paulo como aquele que tem menos mortes violentas. São Paulo registrou taxa 7,8 mortes violentas a cada 100 mil habitantes. Em todo o país, 19 estados e o Distrito Federal tiveram queda nas taxas, enquanto sete deles apresentaram alta. Veja as taxas no infográfico abaixo: Mapa mostra a taxa de mortes violentas em cada estado e no Brasil Arte/g1 Já o Amapá se mantém como o estado mais violento do país, mesmo com redução de 6% na taxa de 2024 para 2025: passou de 45,2 mortes a cada grupo de 100 mil habitantes para 42,5. O topo do ranking estadual segue o mesmo em comparação a 2024, apesar de quedas nas taxas: Em 2º lugar, a Bahia viu a taxa reduzir 10%: sair de 40,7 para 36,8; No 3º lugar, o Ceará teve queda de 7,5% na taxa de mortes violentas, de 37,5 para 34,7. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) afirmou que os investimentos realizados no último ano levaram à redução nos índices de mortes por crimes violentos no primeiro semestre de 2026. Em Maranguape, a diminuição dos registros foi de 97,4%, comparado ao mesmo período de 2025. Em Maracanaú, reduziu 90,9%. Já em Caucaia, o índice caiu 56,8%. Brasil teve média de 4 golpes por minuto em 2025, mostra estudo As conclusões do Anuário de Segurança Pública de 2025: Os feminicídios bateram recorde em 2025, o que vai na contramão da redução das mortes violentas como um todo. Quatro mulheres foram mortas por dia, em média; O Brasil registrou o menor número de assassinatos desde 2012, quando começou o levantamento do Fórum. Foram 40.775 vítimas, queda de 8% em relação a 2024 (veja MAPA das cidades e estados mais violentos); O país teve, pela primeira vez, taxa de mortes violentas abaixo de 20: ficou em 19,1. É o menor número registrado no histórico feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública; Outros indicadores de violência contra a mulher registraram alta: mais casos de violências psicológicas (17%), stalking (30%), descumprimento de medida protetiva (17%) e ameaças (0,5%). O Brasil teve três tentativas de feminicídio para cada crime consumado ao longo de 2025; As dez cidades mais violentas no país ficam no Nordeste, metade na Bahia. Maranguape (CE) lidera ranking pelo 2º ano seguido e foi o único município a superar a taxa de 100 mortes violentas por 100 mil habitantes; Santa Catarina registrou 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes e se tornou o estado com a menor taxa do país. São Paulo ocupava essa posição desde 2014; As mortes cometidas por policiais aumentaram 5% no ano passado, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%; Os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil cresceram 25%; Os casos de bullying e cyberbullying cresceram mais de 60% entre jovens. Isso ocorre após a criação de tipo penal específico, em 2024; A quantidade de adolescentes que cumprem medida socioeducativa no Brasil caiu 54% em 9 anos: são 12,2 mil jovens, a maioria meninos (93%), negros (74%) e entre 16 e 18 anos (76%). As ocorrências mais comuns são roubo (29%) e tráfico de drogas (28%); O número de pessoas no sistema prisional cresceu 6% e chegou a 964 mil. O estudo prevê que, se for mantida a tendência, o Brasil pode bater 1 milhão de presos já em 2027; Há 2,1 milhões de empresas e pessoas autorizadas a ter armas — desse total, 1 milhão têm licença de CAC (Caçadores, Atiradores e Colecionadores) — e 1,6 milhão de armas cadastradas. Três em cada 10 armas estão com registro vencido. Veja, abaixo, a lista com as taxas de todos os 338 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. Taxa de MVI nos 338 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes em 2025