Motorista devolveu R$ 132 milhões que foram depositados em sua conta por erro Antônio Pereira do Nascimento, motorista que ficou milionário por sete horas após receber por engano uma transferência de mais de R$ 131,8 milhões em 2023 e devolver o valor ao banco, segue sem respostas sobre os pedidos de recompensa e indenização. Isso ocorre porque a Justiça decidiu não analisar um recurso apresentado pela defesa, que buscava esclarecimentos sobre uma decisão tomada durante o processo. A decisão mais recente da Justiça foi publicada na quarta-feira (8) pela 6ª Vara Cível de Palmas. Nela, o magistrado não conheceu os embargos de declaração apresentados pela defesa de Antônio, o que significa que o recurso sequer chegou a ser analisado por não atender aos requisitos previstos em lei. Os embargos de declaração — pedidos de esclarecimento — foram apresentados pela defesa após o juiz dispensar testemunhas na ação em que Antônio pede o pagamento de R$ 13.187.022,00 a título de recompensa, valor equivalente a 10% da quantia devolvida ao banco, além de R$ 150 mil por danos morais. Segundo a ação, ele sofreu pressão psicológica após a transferência milionária e teve a conta bancária classificada como VIP, o que teria gerado cobranças indevidas. ? Os embargos de declaração são um instrumento processual utilizado para pedir esclarecimento ou a correção de pontos considerados omissos, contraditórios ou obscuros de uma decisão judicial, nos casos previstos em lei. ? Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Entenda a última decisão O recurso da defesa de Antônio Pereira foi apresentado depois que o juiz Lauro Augusto Moreira Maia decidiu não ouvir as testemunhas, em março de 2026. Segundo o magistrado, os documentos já eram suficientes para analisar o processo. Na prática, ao não conhecer dos embargos de declaração, o magistrado sequer analisou o mérito dos argumentos apresentados pela defesa. Na decisão, ele afirmou que os advogados não apontaram contradição, omissão ou falta de clareza, que justificassem o uso desse recurso. Com isso, a tentativa da defesa de reverter a dispensa das testemunhas não avançou. Motorista devolve cerca de R$ 131 milhões que foram depositados por engano Reprodução/TV Anhanguera LEIA TAMBÉM Entenda por que a Justiça não analisou pedido de esclarecimento do motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano Caso de motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano completa três anos e se arrasta na Justiça Depósito por engano e disputa judicial: veja cronologia do caso de motorista que recebeu R$ 131 milhões de banco O g1 entrou em contato com a defesa de Antônio Pereira para obter um posicionamento sobre a decisão da Justiça e os próximos passos do processo, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. O Bradesco, instituição responsável pela transferência feita por engano, informou, em nota, que não comenta processos em andamento na Justiça. Relembre o caso O caso teve início em junho de 2023, quando o motorista Antônio Pereira do Nascimento, pai de quatro filhos e avô de 14 netos, consultou o saldo da conta bancária e encontrou um valor milionário. A quantia, que pertencia ao Bradesco, foi transferida por engano para a conta do trabalhador, que, na época, tinha apenas R$ 227 de saldo. Na ocasião, Antônio afirmou que, apesar da surpresa, nunca pensou em ficar com o dinheiro. Ele destacou que preza pela honestidade e pelo sustento que tira do trabalho diário. "Nunca vi um dinheiro desse na minha vida e não consigo nunca na minha vida, só se ganhar na Mega-Sena, e jogar eu não jogo. Então é difícil", disse Antônio na época. Em julho de 2024, Antônio acionou a Justiça alegando que a situação lhe causou prejuízos. De acordo com a ação, o gerente do banco teria feito "pressão psicológica" para a devolução imediata do valor, ao afirmar que pessoas estariam na porta da casa dele aguardando a quantia. Além disso, segundo a defesa, por causa do montante recebido, o banco classificou a conta como "VIP" e elevou a tarifa bancária de R$ 36 para R$ 70 sem aviso prévio. Os advogados também afirmam que o motorista sofreu abalos emocionais devido ao assédio da imprensa e à exposição da rotina após a repercussão do caso. Veja a cronologia do caso do depósito de R$ 131 milhões feitos por engano para Antônio Pereira Arte g1 Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.