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Morre primeiro porco clonado no Brasil para transplante de órgãos; animal será exposto em Museu de Zoologia

Primeiro porco clonado na USP reprodução/TV Globo O primeiro porco clonado no Brasil, que faz parte de um estudo para o desenvolvimento de transplantes de órgãos de animais para humanos (xenotransplante), foi...

Morre primeiro porco clonado no Brasil para transplante de órgãos; animal será exposto em Museu de Zoologia
Imagem fornecida pela publicação original: G1

Primeiro porco clonado na USP reprodução/TV Globo O primeiro porco clonado no Brasil, que faz parte de um estudo para o desenvolvimento de transplantes de órgãos de animais para humanos (xenotransplante), foi eutanasiado no final de julho. A informação foi confirmada ao g1, neste sábado (8), por Ernesto Goulart, pesquisador principal do projeto e professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). O animal estava com quase quatro meses de vida, era considerado muito saudável e cumpriu todos os objetivos da pesquisa, informou o professor. Mas teve seu fim antecipado em cerca de dois meses devido a um contingenciamento de recursos financeiros que o projeto vem enfrentando – saiba mais abaixo. ? Clique para o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp Segundo Ernesto Goulart, a técnica de clonagem em suínos não é comum e o nascimento deste animal provou que o protocolo criado do zero pela equipe brasileira está funcionando muito bem e que pode colocar o Brasil em uma posição de destaque global. "O objetivo era acompanhar a saúde dele para saber se era um animal saudável, se ia desenvolver até mesmo a competência sexual. E o animal cumpriu todos os requisitos. Ele era um animal muito saudável", explicou o professor, ressaltando que, apesar da antecipação, não houve prejuízo para os dados da pesquisa. O porco nasceu no Instituto de Zootecnia em Piracicaba (SP), um centro de pesquisas público, em abril de 2026. Posteriormente, foi transferido para as instalações da USP em São Paulo. Agora, o animal passará por um processo de taxidermia, popularmente conhecida como ‘empalhamento’, por ser considerado um marco da ciência brasileira. Ele ficará em exposição no Museu de Zoologia da USP, em São Paulo (SP). A equipe também registrou o nascimento de um segundo clone, que faleceu no dia seguinte. A ocorrência estava prevista dentro dos desafios técnicos da clonagem, apontou o pesquisador. Primeiro porco clonado no Brasil nasceu em Piracicaba André Luís Rosa/EPTV Financiamento O projeto, que começou a ser operado entre o final de 2019 e o início de 2020, envolve múltiplas instituições, exigiu que pesquisadores fossem treinados em várias partes do mundo e conta com algumas fontes de financiamento, como o governo paulista e o federal. No entanto, o andamento esbarrou no congelamento de fontes de financiamento federais, o que afeta a manutenção da infraestrutura, o pagamento de funcionários e a alimentação dos animais, apontou o pesquisador. No início do ano, o grupo contava com cerca de 40 profissionais, muitos deles doutores com vasta experiência. Sem o repasse de verbas, ocorreu o desligamento de parte da equipe. "É um prejuízo muito grande porque é um ativo intelectual muito difícil de ser recuperado", alertou Goulart. O Ministério da Saúde informou que o grupo de pesquisa integra o Programa Genomas Brasil e as estratégias para incorporar avanços genéticos e moleculares a tratamentos personalizados no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Ministério, a iniciativa é integralmente custeada com recursos da pasta, que já liberou R$ 6,15 milhões de um total aprovado de R$ 11,6 milhões. O órgão destacou que os valores são repassados via CNPq (parceiro operacional), conforme previsto em chamada pública, e que "a liberação é condicionada ao cumprimento do cronograma de metas, à aprovação das prestações de contas das etapas já executadas e à disponibilidade orçamentária do exercício vigente". Do lado dos pesquisadores, Goulart afirma que a equipe reconhece a boa vontade e o empenho das agências e do Ministério para tentar resolver a situação, pontuando que o governo federal entende o projeto como estratégico, mas que a liberação esbarra em questões amplas. Sede do Ministério da Saúde em Brasília Rodrigo Coutinho/MS Próximos passos e o papel do Brasil O pesquisador destaca que dominar a clonagem foi um meio de aprendizado indispensável. A próxima etapa é a produção de porcos geneticamente modificados, que viabilizarão os transplantes em humanos. Tecnologias semelhantes vêm sendo desenvolvidas pelos Estados Unidos e China há cerca de três décadas, afirmou o pesquisador. "A gente tem a possibilidade real de tornar o Brasil simplesmente o terceiro país no mundo a conseguir fazer um xenotransplante em humanos", avalia o professor da USP. Apesar das incertezas financeiras, o pesquisador informa que a equipe se mantém confiante na capacidade de executar as próximas fases em curto espaço de tempo, aguardando apenas o destravamento das verbas, e honrando o sonho do grande mentor do projeto, o professor Silvano Raia, que faleceu em 28 de abril deste ano.

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Fonte: G1

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