Entenda os sinais de desconforto ou dor nos pets O comportamento de um pet pode revelar mudanças de humor, preferências em relação ao ambiente e até indicar que algo não está bem. Mas você sabia que os animais também podem apresentar sinais de dor ou doença mesmo sem sintomas aparentes? Para explicar como identificar esses sinais e entender melhor o comportamento dos pets, o g1 conversou com a médica veterinária Giovanna Del Cistia, de Sorocaba (SP), que apontou quais mudanças devem chamar a atenção dos tutores e deu orientações sobre como agir nesses casos. Ao g1, a veterinária de Sorocaba explicou quais podem ser os sinais de desconforto apresentado pelos animais Arquivo pessoal/Maria Carolina Sanches ? Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp ? É dor ou o comportamento do pet? A profissional apontou que um dos sinais mais sutis, e que muitas vezes não é percebido pelos tutores como um indicativo de dor, é a redução do apetite e da agitação dos pets. “Um animal pode dormir mais,ficar mais apegado ao tutor ou então até mais agressivo, e por vezes evitando usar alguma parte do corpo”, listou. A veterinária explicou também que a dor ativa mecanismos de defesa no organismo dos animais, o que favorece o estresse crônico. Por causa disso, o pet muda a forma que interage com o ambiente. “Animais com dor tendem a ter uma frequência cardíaca e respiratória um pouco mais elevada. Além da dor, sinais de desconforto também podem estar ligados a fatores comportamentais, como estresse”, disse a especialista. Giovanna Del Cistia é veterinária e mora em Sorocaba (SP) Arquivo pessoal A lambedura excessiva das patas ou de alguma parte do corpo também é um sinal de alerta. No caso dos gatos, um dos comportamentos apresentados é urinar com frequência fora da caixinha de areia. “Muitas vezes os sinais são sutis ou os tutores não conseguem interpretar aquele comportamento como um possível sinal de dor”, reforçou a veterinária. Veterinária explica quais são os sinais que um pet apresenta ao sentir dor Arquivo pessoal/Stephany Marcondes Essas mudanças de comportamento podem ocorrer em pets de qualquer idade. No entanto, Giovanna alerta que os animais idosos são mais suscetíveis a dores crônicas, como as causadas pela artrose. “O animal idoso saudável, apesar de ter menos energia que um filhote ou adulto, ainda deve se movimentar e comer normalmente. Animais idosos muito prostrados podem estar apresentando dores”, completou. LEIA TAMBÉM: Cardiologista, oftalmo e até dermato: veterinários especialistas ampliam atendimento aos pets Mercado pet em alta: tutores investem em bem-estar e movimentam economia no interior de SP Por que os gatos bebem pouca água? Origem da espécie ajuda a explicar hábito que pode trazer riscos à saúde Por fim, a profissional orienta os tutores a procurar um médico veterinário ao perceber qualquer mudança de comportamento ou reação diferente do habitual no pet. “Nem todo sinal de desconforto é dor e nem todo analgésico humano pode ser usado em animais, além de cães e gatos necessitarem de dosagens específicas. Portanto, a indicação é sempre levar à um veterinário”, reforçou ao g1. ? Acompanhamento diário É importante observar diariamente se a alimentação e a ingestão de líquidos estão normais e se o pet apresenta alguma mudança de comportamento ou de humor. Na casa de Stephany Marcondes, de 25 anos, tutora de Pandora e Biggu, observar os sinais apresentados pelos animais faz parte da rotina. “Acho importante observar o comportamento deles no dia a dia, porque muitas vezes eles demonstram que alguma coisa não está bem mesmo sem apresentar sinais muito evidentes”, relatou à reportagem. Em Itapetininga, Stephany é tutora de 'Bigu' que tem três anos Arquivo pessoal/Stephany Marcondes Ao perceber alguma mudança, a tutora busca entender se aconteceu algo de diferente no dia do pet ou da família. “Quando estão desconfortáveis, geralmente ficam mais ofegantes e irritados. Quando estão doentes, ficam mais quietinhos, desanimados e perdem o interesse em brincar. Já quando estão com medo ou inseguros, costumam procurar um lugar para se esconder e podem ficar tremendo”, apontou a tutora. Stephany é tutora de dois cães e disse ao g1 sempre ficar atenta às mudanças no comportamento Arquivo pessoal/Stephany Marcondes “Hoje consigo identificar alguns sinais apenas pela mudança de comportamento. Quando percebo que estão ofegantes sem terem feito esforço ou muito quietinhos e sem vontade de brincar, já fico em alerta porque sei que provavelmente existe alguma coisa diferente acontecendo”, completou. Stephany conta que os cães conseguem demonstrar quando algo está incomodando. Segundo ela, a cadela é mais expressiva e consegue mostrar o que quer e o que está sentindo, seja pelo olhar ou pela maneira como age. “O Biggu já é mais tranquilo e reservado, mas também percebo que ele tem a própria maneira de se comunicar comigo. Com o tempo, convivendo com eles, a gente acaba aprendendo a interpretar pequenas mudanças e entender melhor o que cada um está tentando demonstrar”, esclareceu. ? Comunicação através dos miados Ao g1, a fisioterapeuta Maria Carolina Sanches, de 27 anos, disse que fica atenta aos comportamento de seu gato Draco, que tem seis anos. “O Draco é extremamente expressivo, é fácil saber quando ele está incomodado com alguma coisa ou até mesmo com alguém”, relatou a tutora. Maria Sanches, moradora de Itapetininga, é tutora do gato apelidado de Draco Arquivo pessoal/Maria Sanches Ela relembrou um caso em que o pet machucou a parte interna da orelha, mas o ferimento não era visível. Mesmo sem apresentar sintomas aparentes, o animal mostrou à tutora que algo estava diferente do normal por meio de miados repetitivos. “Seja por miado e pela tonalidade dos miados, quanto pela forma como ela dá mordidinhas no meu tornozelo, eu já consigo entender o que ele tá querendo”, contou Maria. Um dos comportamentos que os gatos podem apresentar é urinar com frequência fora da caixa de areia Arquivo pessoal/Maria Sanches A fisioterapeuta relatou que, como o pet gosta muito de ficar brincando no sol e deitado no quintal, quando Draco passa mais tempo dentro de casa, ela fica em alerta para observar se há algum de errado com o animal. “Ele gosta bastante de brincar no sol ou de ficar deitado no quintal, se ele fica muito dentro de casa a gente já começa a achar estranho, principalmente se fica muito tempo quieto ou soltando uns miados baixos resmungando”, concluiu. À reportagem, ela contou que sempre fica atenta às mudanças do animal, pois ele é expressivo Arquivo pessoal/Maria Carolina Sanches *Colaborou sob a supervisão de Larissa Pandori