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Falta de emprego entre jovens vira desafio global

Jovens encontram mercado em transformação com avanço da IA e novas configurações sociais Joerg Carstensen/picture alliance A dificuldade de inserção de jovens no mercado de trabalho deixou de ser um problema localizado...

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Falta de emprego entre jovens vira desafio global
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Jovens encontram mercado em transformação com avanço da IA e novas configurações sociais Joerg Carstensen/picture alliance A dificuldade de inserção de jovens no mercado de trabalho deixou de ser um problema localizado e passou a mobilizar diferentes países. No ano passado, o desemprego persistente e a escassez de oportunidades levaram manifestantes às ruas no Quênia, Peru, Nepal, Indonésia e Filipinas. ?? Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Neste ano, a preocupação com a falta de trabalho para essa faixa etária também impulsionou protestos na África do Sul e no Marrocos. Na Índia, ajudou a dar visibilidade ao Partido Cockroach Janta, movimento que surgiu como uma iniciativa satírica nas redes sociais e rapidamente ganhou projeção nacional. O desemprego juvenil na China O desemprego juvenil mede a parcela de jovens, normalmente entre 15 e 24 anos, que procuram trabalho ativamente, mas não conseguem uma vaga. Essa taxa costuma superar a de desemprego geral, em razão da menor experiência profissional e das barreiras enfrentadas por quem está iniciando a carreira. Ainda assim, a diferença entre os dois indicadores tem aumentado em um número crescente de países. A China tornou-se um dos exemplos mais visíveis desse fenômeno. O avanço das matrículas no ensino superior e o aumento do número de formados ocorreram em ritmo mais acelerado do que a criação de empregos, contribuindo para a ansiedade, a prolongada busca por trabalho e o subemprego em um período de desaceleração econômica.

Em maio, a taxa oficial de desemprego entre jovens urbanos de 16 a 24 anos na China foi de 15,6%, segundo dados do governo citados pela agência Reuters. Embora seja o menor nível em 11 meses, o índice permanece muito acima da taxa geral de desemprego do país, em torno de 5%. Desde 2023, as estatísticas chinesas sobre desemprego juvenil deixaram de incluir os milhões de estudantes universitários, o que dificulta a comparação com os dados anteriores. No Brasil, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho também afeta de forma desproporcional os mais jovens. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos é de 13,8%, mais que o dobro da média nacional, de 5,8%. Entre a população de 14 a 24 anos, quase 20% não estudam nem trabalham. Em alguns países, há crescimento do emprego juvenil em vagas que exigem menor qualificação Stefan Sauer/dpa/picture alliance A culpa é da IA? A China não é o único país a enfrentar crescimento econômico fraco, menor mobilidade social e uma crescente percepção de desigualdade entre gerações. Em diversas economias, o avanço tecnológico, a desaceleração das contratações e o aumento da concorrência têm enfraquecido a relação tradicional entre diploma universitário e emprego estável de colarinho-branco. Além do aumento do número de graduados, outro fator que alimenta a insegurança é o temor de que a inteligência artificial (IA) elimine postos de trabalho de entrada. Os especialistas, porém, ainda não chegaram a um consenso sobre os efeitos da tecnologia. "No Reino Unido, as novas vagas para graduados caíram mais rapidamente do que as destinadas a pessoas sem formação universitária, e muitas dessas funções apresentam alta exposição à IA", afirma Golo Henseke, professor associado de economia aplicada da University College London. Segundo pesquisa conduzida por ele, regiões em que as empresas adotaram a IA mais rapidamente registraram crescimento mais lento do emprego entre pessoas de 15 a 24 anos, enquanto a ocupação entre trabalhadores em idade principal permaneceu estável. Ainda assim, Henseke avalia que, por enquanto, o impacto da IA é pequeno quando comparado aos efeitos normais do ciclo econômico. Sara Elder, especialista em emprego juvenil da Organização Internacional do Trabalho (OIT), concorda. Para ela, a IA pode contribuir para a estagnação do emprego entre jovens, mas não é o principal fator. "No momento, as economias não estão suficientemente dinâmicas, e a criação de vagas não acompanha o número de jovens que entram no mercado de trabalho", afirma. Segundo Elder, o problema é agravado pela tendência de empregadores elevarem as exigências de contratação, dificultando a entrada de candidatos com pouca experiência profissional. Sem oportunidades em cargos de entrada, muitos jovens podem deixar de adquirir a experiência necessária para avançar na carreira. As consequências incluem menor consumo, redução das taxas de compra de imóveis, adiamento da formação de famílias e aumento da frustração social. Muitos se dizem cada vez mais endivididados. Os setores mais afetados A OIT identificou aumento das taxas de desemprego juvenil em oito das 11 regiões do mundo entre 2023 e 2025, incluindo o Leste Asiático, a América do Norte e o Sudeste Asiático e Pacífico. A redução de oportunidades foi mais acentuada nos setores de manufatura, construção e serviços. Por outro lado, segundo Elder, empregos técnicos altamente qualificados e intensivos em conhecimento, como os das áreas de ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação e comunicação, apresentaram desempenho mais favorável e seguiram em expansão na maioria dos países. Cenário exige novos investimentos O crescimento econômico mais lento, a concorrência acirrada entre graduados e as mudanças nos critérios de contratação tornaram mais difícil para muitos jovens conquistar o primeiro emprego. Na Alemanha, uma pesquisa da consultoria EY mostrou que os estudantes estão menos otimistas em relação à possibilidade de encontrar trabalho adequado após a graduação do que estavam há dois anos. A segurança no emprego também superou o salário como principal critério na escolha de um empregador. Para Elder, esse cenário evidencia a necessidade de investimentos públicos e privados na criação de empregos de qualidade e em políticas que facilitem a transição dos jovens da escola para o mercado de trabalho. Henseke, por sua vez, demonstra cautela ao atribuir o problema à qualificação das novas gerações. "É muito improvável que os graduados de hoje sejam menos capacitados do que aqueles que concluíram os estudos há apenas alguns anos, e as competências exigidas pelos empregadores não mudaram da noite para o dia", afirma. "Mais do que qualquer outra medida, o que realmente ajudaria seria um crescimento econômico mais forte", conclui. Ainda assim, ele não vê a Europa enfrentando atualmente uma crise generalizada de emprego juvenil. A taxa de desemprego juvenil na União Europeia foi de 15,2% em maio, contra 5,9% para a população em geral. Desde 2022, a proporção de jovens que não estudam, não trabalham nem participam de programas de formação aumentou apenas em alguns países europeus, como Áustria e Alemanha, e caiu em grande parte do sul do continente. "O desemprego juvenil também não é novidade na Europa", afirma. "Ele foi especialmente grave após a crise financeira global, e as maiores melhorias ocorreram justamente nos países mais afetados naquele período." Autor: Timothy Rooks 'Assédio por pelos': por que campanha para incentivar homens a usar bermuda no trabalho causa polêmica no Japão 'Assédio por pelos': por que campanha para incentivar homens a usar bermuda no trabalho causa polêmica no Japão

Fonte: G1 Economia

Esta notícia foi publicada originalmente por G1 Economia. Consulte a publicação original para mais detalhes.

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