Sadler’s Wells, Londres A visão espetacular de Hideki Noda sobre a vilã biotecnologia e a condução óssea está repleta de golpes deslumbrantes, mas fica atolada em sua mensagem sincera

Esta fantasia futurista maluca do escritor e diretor japonês Hideki Noda tem um objetivo alto. Começa com ninguém menos que Deus observando a Torre de Babel, que sobe aos céus na forma de um arranha-céu. Cue um drama satírico irreverente que cobre a era dos dinossauros, os ovos congelados de Cleópatra (foram fertilizados por Júlio César ou Marco Antônio?) e a biotecnologia, tudo através de um enredo envolvendo viagem no tempo, anjos doentes e, bem, condução óssea: os ossos atuais do protagonista, Help (Sadawo Abe), conectam-se com os fossilizados através da vibração.

O Flautista de Hamelin (Koji Ohkura) aparece, assim como Mephisto (Suzu Hirose) e Fausto (Isao Hashizume). Noda também atua como pesquisador no mundo cruel da ciência genética. A preocupação subjacente é com a ética da erradicação das doenças e da criação do ser humano “definitivo”. A história foi parcialmente inspirada nos assassinatos em massa ocorridos em uma casa de repouso em Sagamihara, nos arredores de Tóquio, em 2016, cometidos por um ex-funcionário que queria que as pessoas com deficiência “desaparecessem”. Help, que é surdo, faz uma viagem acidentada ao passado no estilo De Volta para o Futuro, a fim de se conectar com ossos que formam a herança da humanidade e futuras descobertas médicas.