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Himalaia está próximo do ponto de não retorno, mostra estudo

O colapso de uma geleira no Himalaia, que provocou as enxurradas que devastaram partes do Nepal e do Tibete no mês passado, pode ser um sinal de um futuro cada vez mais desafiador para as comunidades que vivem na cadeia de montanhas. Um...

Himalaia está próximo do ponto de não retorno, mostra estudo
Resumo 365

O estudo foi publicado pela empresa Systemiq e feito em parceria com a Integrated Mountain Initiative, o International ?Centre for Integrated Mountain Development e o India’s G.B. Pant National Institute of Himalayan Environment.

  • Segundo a análise, o aumento da temperatura média global na última década acelerou em 65% a perda de massa das geleiras do Himalaia.
  • O derretimento das geleiras está criando lagos glaciais em áreas de grande altitude, que podem se romper na medida em que mais gelo derrete nas montanhas, ou como resultado de eventos...

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O colapso de uma geleira no Himalaia, que provocou as enxurradas que devastaram partes do Nepal e do Tibete no mês passado, pode ser um sinal de um futuro cada vez mais desafiador para as comunidades que vivem na cadeia de montanhas. Um estudo revela que o Himalaia está se aproximando de um ponto crítico, impulsionado pela crise climática, que pode colocar em risco a segurança hídrica e a subsistência de centenas de milhões de pessoas na região.

O estudo foi publicado pela empresa Systemiq e feito em parceria com a Integrated Mountain Initiative, o International ?Centre for Integrated Mountain Development e o India’s G.B. Pant National Institute of Himalayan Environment. Segundo a análise, o aumento da temperatura média global na última década acelerou em 65% a perda de massa das geleiras do Himalaia.

O derretimento das geleiras está criando lagos glaciais em áreas de grande altitude, que podem se romper na medida em que mais gelo derrete nas montanhas, ou como resultado de eventos sísmicos ou colapsos como o que aconteceu em agosto. Somente a Índia possui 56 lagos glaciais classificados como de “altíssimo risco”.

O estudo assinala que o derretimento das geleiras não se deve apenas às mudanças climáticas. Outro fator importante, mais regional, é o carbono negro que sobe das planícies e se deposita nas geleiras, acelerando o derretimento. De acordo com a análise, cerca de um terço do derretimento das geleiras do Himalaia é impulsionado pelo carbono negro. O que, diferentemente da crise climática, pode ser modificado por meio de medidas regionais para reduzir o poluente.

A intensificação da perda de gelo pode resultar não apenas em desastres como o que atingiu o Himalaia há três semanas. O estudo indica que a região se aproxima do “pico de disponibilidade de água”, previsto para ocorrer em meados deste século. A perda do gelo agora significa que a disponibilidade hídrica pode ser um problema no Himalaia na 2a metade deste século, afetando diretamente o abastecimento de água de comunidades e de lavouras em uma região que representa mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) da Índia.

“O Himalaia é o terceiro polo e, ao contrário do Ártico e da Antártica, centenas de milhões de pessoas vivem sob ele. Trata-se de uma infraestrutura nacional e internacional, e o sistema ecológico que a sustenta está se aproximando de um ponto de inflexão. Protegê-lo é a base da qual depende a prosperidade futura da região, e essa prosperidade se estende muito além das fronteiras da Índia, chegando à segurança alimentar, hídrica e econômica de comunidades de toda a Ásia Meridional e do mundo todo que dependem do que essas montanhas proporcionam”, assinalou Sir Nicholas Stern, presidente do Instituto de Pesquisa Grantham da London School of Economics (LSE).

Os principais pontos do estudo foram abordados por Economic Times, Reuters e The Hindu.