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'Vicentina pede desculpas' é o 'Aquarius' do diretor de 'Marte Um'? Gabriel Martins explica semelhanças

Rejane Faria em cena de 'Vicentina pede desculpas' Denize dos Santos/Netflix Demorou quatro anos, mas finalmente o celebrado diretor de "Marte Um" (2022), Gabriel Martins, vai lançar seu próximo filme. "Vicentina pede desculpas", segundo...

'Vicentina pede desculpas' é o 'Aquarius' do diretor de 'Marte Um'? Gabriel Martins explica semelhanças
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A obra, uma das 15 pré-selecionadas pela Academia Brasileira de Cinema para talvez representar o país no Oscar 2027, antes disso ainda participa de competições em festivais como o de San Sebastián e o de Toronto, em setembro. Em "Vicentina pede desculpas", Martins se reencontra com parceiros de "Marte Um", como Rejane Faria e Renato Novaes para contar a...

  • Em "Vicentina pede desculpas", Martins se reencontra com parceiros de "Marte Um", como Rejane Faria e Renato Novaes para contar a história de uma mãe que precisa lidar com luto da morte do...
  • "É um filme sobre entender assim o luto, a morte dentro de uma estrutura contemporânea de cidade urbana.
  • E falar também sobre essa coletividade", afirma o diretor ao g1.

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Rejane Faria em cena de 'Vicentina pede desculpas' Denize dos Santos/Netflix Demorou quatro anos, mas finalmente o celebrado diretor de "Marte Um" (2022), Gabriel Martins, vai lançar seu próximo filme. "Vicentina pede desculpas", segundo projeto solo do cineasta mineiro de 38 anos, vai estrear nos cinemas brasileiros em 5 de novembro. A obra, uma das 15 pré-selecionadas pela Academia Brasileira de Cinema para talvez representar o país no Oscar 2027, antes disso ainda participa de competições em festivais como o de San Sebastián e o de Toronto, em setembro. Em "Vicentina pede desculpas", Martins se reencontra com parceiros de "Marte Um", como Rejane Faria e Renato Novaes para contar a história de uma mãe que precisa lidar com luto da morte do filho — ao mesmo tempo em que parte em uma jornada para pedir desculpas às famílias dos passageiros do ônibus que ele dirigia. "É um filme sobre entender assim o luto, a morte dentro de uma estrutura contemporânea de cidade urbana. Nesse caso, Belo Horizonte. E falar também sobre essa coletividade", afirma o diretor ao g1. Quais as chances de o Brasil concorrer ao Oscar 2027? "A gente quer falar dessas conexões humanas. É o desejo desse filme. Para além disso, falar sobre masculinidade, a partir do filho, a partir de encontros que ela tem. E falar sobre maternidade, também, de uma maneira não superficial." Depois de um período nos cinemas brasileiros, o filme vai ser lançado simultaneamente em mais de 190 países na plataforma de streaming Netflix, em 20 de novembro. Na entrevista, o cineasta falou sobre os paralelos inesperados com o começo da carreira de outro nome importante do cinema nacional contemporâneo, Kleber Mendonça Filho, as semelhanças de "Vicentina pede desculpas" com "Aquarius" (2016), a expansão do público de obras brasileiras e, claro, o papel do Oscar em tudo isso. Leia a conversa completa abaixo, editada para clareza: g1 - Você fez uma sessão de "Marte Um" com mediação do Kleber Mendonça Filho. Pode ser só uma loucura minha, mas eu comecei a ver um certo paralelo entre o seu filme e "O som ao redor", que foi o primeiro dele. Tem uma coisa muito realista, um naturalismo cinematográfico brasileiro nos dois. Ambos foram suas estreias na direção solo, e ambos foram escolhidos para representar o Brasil no Oscar. Dá para falar então que o "Vicentina pede desculpas", sem saber muito sobre o filme, é o seu "Aquarius"? Gabriel Martins - Nossa, essa pergunta aí foi interessante (risos). Cara, eu não tinha pensado muito sobre essa analogia, né? Embora eu ache que eu me comunico, sim, com o cinema do Kleber de várias formas. Acho que tem uma relação muito forte do cinema do Kleber entre personagem, espaço e a maneira de dialogar cinematograficamente com essas duas coisas, né? Que eu acho muito legal. Talvez, a coisa que que mais se comunica é o fato de de vir de dois filmes — no caso, "Marte Um" e "O som ao redor" — que são filmes de conjunto, né? De um grupo de personagens. E, dos filmes que eu dirigi, esse é o primeiro filme muito focado em uma personagem. E talvez no caso do "Aquarius" também seja a mesma coisa. Isso foi uma coisa muito interessante assim para mim. Eu queria mostrar um pouco essa jornada de uma mulher. Focar não só na história dela, mas também visualmente. Para mim era uma coisa muito legal assim pensar que todo dia eu estava acordando e indo para o set para filmar o rosto da Rejane. Mais do que o rosto da Rejane, o rosto dessa personagem. Da Vicentina, né? Então, acho que com certeza esses filmes se comunicam por um desejo de investigação parecido. E, para mim, esse lugar dessa personagem centralizada. Fazer um estudo de personagem era uma coisa que eu queria fazer há um tempo. E antes mesmo do "Marte Um", quando eu fiz o "No coração do mundo" (2019), também era um grande conjunto, um filme muito sobre um espaço, sobre uma região que não tem ali uma protagonista ou um protagonista tão bem definido. Agora não. É uma pessoa mesmo. É a gente passar um tempo com essa pessoa. Enfim, achei sua analogia muito bem-vinda. Eu acho que faz faz sentido, sim. Primeiro pôster de 'Vicentina pede desculpas' Divulgação g1 - Numa entrevista que eu li, que foi publicada em julho ou junho, se eu não me engano, você ainda fala assim: "Ah, não posso falar muita coisa sobre o filme". A gente já sabe que tem seus parceiros habituais, tem a Rejane, o Renato, a Grace (Passô). É um projeto de mais de 10 anos e eu já vi também você falar que filmou em 2024. O que mais que você pode falar sobre o "Vicentina"? Gabriel Martins - Acho que é um filme sobre uma personagem, né? Essa personagem Vicentina, que leva o nome da minha avó. E é um filme sobre entender o luto, a morte dentro de uma estrutura contemporânea de cidade urbana. Nesse caso, Belo Horizonte. E falar também sobre essa coletividade. A coletividade como uma uma solução para momentos difíceis como esse. Acho que isso, principalmente entendendo o nosso mundo. Não vou falar nem só de Brasil ou BH ou grandes cidades, mas o nosso mundo como um mundo que cada dia me parece mais individualizado. As pessoas mais separadas, assim. Essa jornada individual da Vicentina — ela vai falar também disso. De conexões. O próprio título do filme já traz o gesto do filme, que é uma personagem pedindo desculpa para as pessoas a partir desse acidente. E se entende que o filho dela provocou o acidente como um suicídio. A gente quer falar dessas conexões humanas. É o desejo desse filme. Para além disso, falar sobre masculinidade, a partir do filho, a partir de encontros que ela tem. E falar sobre maternidade, também, de uma maneira não superficial. Acho que é um filme que tem o que eu sempre tive o desejo de trazer: a dor mesmo desses encontros. Se o "Marte Um" era um filme muito, talvez, sobre essa comunicação entre essa família — ou da falha de comunicação —, acho que o Vicentina é de alguma forma também sobre essa possibilidade de escuta, essa possibilidade de perdão em um mundo no qual, na verdade, todo mundo pare