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Operações no AM causam prejuízo de R$ 263 milhões ao crime, mas facções mantêm domínio sobre rios e expandem poder na floresta

Exército Brasileiro durante Operação Ágata em 2026 em São Gabriel da Cachoeira Lucas Macedo/g1 Uma sequência de operações integradas entre as Forças de Segurança Estadual e Federal resultou na prisão de 1.902 pessoas e provocou um prejuízo...

Operações no AM causam prejuízo de R$ 263 milhões ao crime, mas facções mantêm domínio sobre rios e expandem poder na floresta
365 Summary

Os números, obtidos com exclusividade pelo g1, fazem parte do balanço elaborado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi). Segundo o relatório, nesses dois anos, o Governo Federal investiu R$ 265 milhões em recursos diretos no estado para modernizar a infraestrutura, adquirir...

  • Segundo o relatório, nesses dois anos, o Governo Federal investiu R$ 265 milhões em recursos diretos no estado para modernizar a infraestrutura, adquirir equipamentos e apoiar ações...
  • De acordo com o levantamento, a atuação conjunta entre os governos buscou bloquear os corredores logísticos estratégicos usados para a circulação de ilícitos na Amazônia.
  • Entre os resultados contabilizados no período estão: 20 operações estratégicas deflagradas e 139 mandados de prisão cumpridos; 457.946 ações ostensivas e 164 operações de inteligência...

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Exército Brasileiro durante Operação Ágata em 2026 em São Gabriel da Cachoeira Lucas Macedo/g1 Uma sequência de operações integradas entre as Forças de Segurança Estadual e Federal resultou na prisão de 1.902 pessoas e provocou um prejuízo estimado em R$ 263,48 milhões ao crime organizado no Amazonas entre 2024 e 2026. Apesar do cerco financeiro e do volume de apreensões, especialistas alertam que as facções continuam dominando calhas de rios e expandindo sua influência territorial. Os números, obtidos com exclusividade pelo g1, fazem parte do balanço elaborado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi). Segundo o relatório, nesses dois anos, o Governo Federal investiu R$ 265 milhões em recursos diretos no estado para modernizar a infraestrutura, adquirir equipamentos e apoiar ações ostensivas de combate ao narcotráfico. De acordo com o levantamento, a atuação conjunta entre os governos buscou bloquear os corredores logísticos estratégicos usados para a circulação de ilícitos na Amazônia. Entre os resultados contabilizados no período estão: 20 operações estratégicas deflagradas e 139 mandados de prisão cumpridos; 457.946 ações ostensivas e 164 operações de inteligência executadas; 9,1 toneladas de drogas apreendidas e 48,8 toneladas incineradas; 471 armas de fogo e 56 veículos confiscados; 72 toneladas de minério ilícito recolhidas. O relatório aponta ainda o repasse de R$ 1,21 milhão em materiais estruturantes, incluindo sete drones, sete viaturas operacionais, munições e softwares de extração de dados, além do treinamento oferecido a mais de 90 agentes de segurança no estado. ENTENDA: Facções criminosas atuam em ao menos 25 municípios do Amazonas, aponta estudo ALERTA: Quatro anos após assassinatos de Bruno e Dom, rede criminosa mantém Vale do Javari sob ameaça no AM Polícia apreende fuzil e mais de 2,5 toneladas de droga no interior do AM Foto: Natália Póvoas/Rede Amazônica Duas grandes operações aconteceram recentemente. Em maio, as Forças Armadas interceptaram mais de 15 toneladas de drogas durante a Operação Ágata Amazônia, realizada na faixa de fronteira do estado com o Peru e a Colômbia. A maior parte da droga, cerca de 14 toneladas de maconha do tipo skunk, estava escondida às margens do Rio Javari. A outra aconteceu em julho deste ano, quando forças de segurança apreenderam mais de 2,5 toneladas de cocaína e um fuzil com munições nas proximidades do município de Codajás, no interior do Amazonas. Gargalos estruturais e domínio fluvial ?? Presença de facções cresce e chega a 45% das cidades da Amazônia Apesar dos aportes milionários e das prisões, analistas de segurança ressaltam que o prejuízo financeiro acaba sendo absorvido pelo crime organizado como custo operacional frente aos lucros do setor. Para o cientista político e historiador Joel Paviotti, as facções continuam agindo com força justamente onde a presença do Estado não é frequente. "As principais dificuldades têm relação com a histórica falta de investimento em estrutura que possa possibilitar a alocação e facilitar o trabalho da polícia e das Forças Armadas. Não há como fazer segurança pública sem muito dinheiro investido. A falta de integração entre forças policiais e Forças Armadas também tem sido apontada como um dificultador para o combate ao crime organizado", avalia Paviotti. O especialista explica que a extensão das rotas dificulta a contenção do tráfico de cocaína pela calha do Rio Solimões até os grandes centros e o exterior. "Essas rotas são gigantescas e o efetivo das Forças Armadas e da Polícia Federal não dá conta de mapear, fiscalizar e conter a quantidade de drogas transportada pelos grupos criminosos. Também existe a corrupção. A venda de cocaína gera lucros enormes, o que sustenta todo um sistema de corrupção que, inclusive, dificulta o trabalho do pouco efetivo policial que o Brasil dispõe para fiscalizar uma área gigantesca", afirma. Disputas por rotas e a nova fronteira dos crimes ambientais Levantamentos feitos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a atuação das facções na região está mais complexa: Disputa territorial: Com o colapso da facção Família do Norte (FDN), o Comando Vermelho (CV) assumiu posição dominante na Rota do Solimões e trava confrontos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A disputa abrange a tríplice fronteira (Brasil, Colômbia e Peru), a cooptação de comunidades ribeirinhas e alianças com grupos armados estrangeiros. Avanço sobre o meio ambiente: Para além do narcotráfico, organizações criminosas avançaram sobre a exploração ilícita da floresta em um "sistema híbrido". O garimpo ilegal, a extração de madeira, a grilagem e o tráfico de ouro são utilizados como instrumentos diretos de lavagem de dinheiro e como moeda para financiar a compra de drogas e armas nas fronteiras. O que diz o poder público Ao g1, as Forças Armadas afirmaram que atuam de forma subsidiária e integrada no combate a crimes ambientais e em região de fronteira, destacando que as Operações Ágata e ações de patrulhamento fluvial e aéreo na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia reforçam a presença do Estado e o controle de rotas do tráfico. Já o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que atua na região por meio do Programa Território Seguro, Amazônia Soberana, priorizando o Alto Solimões e o Alto Rio Negro para desarticular o crime organizado e oferecer alternativas lícitas à população. O g1 questionou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) sobre a ação das facções no estado, mas não tinha recebido resposta até a última atualização desta reportagem. Infográfico mostra que crimes ambientais nestas cidades servem para lavagem de dinheiro e domínio do PCC e do CV Arte/g1