Cães-robôs sobem escadas em demonstração na China, em 21 de março de 2025 REUTERS/Florence Lo A chinesa Unitree Robotics, uma das maiores fabricantes de robôs humanoides e quadrúpedes do mundo, baseou o design de seus cães-robôs em tecnologias desenvolvidas com financiamento dos militares dos Estados Unidos, segundo um ex-integrante da área de tecnologia de defesa americana e três pesquisadores envolvidos no projeto. As informações são da agência de notícias Reuters. O modelo Go2, lançado em 2023 e vendido por cerca de US$ 1.600 (R$ 8.322,24), ajudou a Unitree a conquistar rapidamente espaço no mercado global de robôs quadrúpedes. O interesse pela empresa também impulsionou sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em Xangai. ?? Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Outro robô da Unitree apareceu em imagens exibidas pela televisão estatal chinesa transportando uma arma e acompanhando tropas do Exército de Libertação Popular (ELP) durante um exercício militar. Segundo pesquisadores ouvidos pela Reuters, esses robôs utilizam avanços na locomoção de máquinas quadrúpedes financiados pelo Laboratório de Pesquisa do Exército dos EUA e por outros programas militares americanos.
Como pesquisas militares dos EUA viraram base para os cães-robôs da China
Cães-robôs sobem escadas em demonstração na China, em 21 de março de 2025 REUTERS/Florence Lo A chinesa Unitree Robotics, uma das maiores fabricantes de robôs humanoides e quadrúpedes do mundo, baseou o design de seus cães-robôs em...
O modelo Go2, lançado em 2023 e vendido por cerca de US$ 1.600 (R$ 8.322,24), ajudou a Unitree a conquistar rapidamente espaço no mercado global de robôs quadrúpedes. O interesse pela empresa também impulsionou sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em Xangai.
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O projeto financiado pelo Exército acabou servindo de base para o primeiro robô da Unitree produzido em escala comercial relevante, afirmou Gavin Kenneally. Ben Katz, que trabalhava no Laboratório de Robótica Biomimética do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), integrante de um consórcio de universidades financiado por programas militares dos EUA, afirmou que as dimensões da popular série Go da Unitree eram praticamente idênticas às de um robô que ele ajudou a desenvolver, chamado Mini Cheetah. O caso evidencia dificuldades mais amplas dos Estados Unidos para competir com a capacidade industrial chinesa em setores estratégicos de alta tecnologia, incluindo áreas consideradas essenciais para a segurança nacional. Apoiadas por subsídios estatais, polos industriais especializados e maior disposição para operar com margens reduzidas ou prejuízos prolongados, empresas chinesas ampliaram sua participação em mercados como os de painéis solares, drones, veículos elétricos e comunicações quânticas. Muitas dessas tecnologias tiveram suas origens em pesquisas apoiadas por governos ou forças armadas dos EUA. Kenneally transformou parte desses avanços em produtos comerciais por meio da Ghost Robotics, empresa que fornece robôs para forças especiais dos Estados Unidos. Ainda assim, sua operação continua menor e mais cara do que a da Unitree. Em junho, o Pentágono incluiu a Unitree em uma lista de empresas ligadas ao setor militar chinês, classificando-a como uma "contribuinte para a base industrial de defesa chinesa". A medida não equivale a uma sanção, mas pode restringir o uso futuro da tecnologia da empresa pelas Forças Armadas dos EUA. A Unitree afirma que seus robôs são destinados a aplicações civis. A Unitree, o Conselho de Estado da China e o Ministério da Defesa chinês não responderam aos pedidos de comentário feitos pela Reuters. Segundo os pesquisadores ouvidos pela agência de notícias, a Unitree não agiu de forma inadequada ao utilizar pesquisas financiadas pelo Exército dos EUA. Os resultados do programa foram publicados abertamente para estimular avanços na área, uma prática comum no meio acadêmico. A porta-voz do Laboratório de Pesquisa do Exército, Amanda Ligon, afirmou que a pesquisa fortaleceu o setor de robótica dos Estados Unidos como um todo e serviu de base para trabalhos posteriores nos setores público e privado. O laboratório encaminhou as perguntas sobre a utilização comercial da tecnologia pela Unitree ao Pentágono, que se recusou a comentar. Como a China ganhou escala na robótica A Unitree vendeu mais de 5.500 robôs humanoides e 18 mil robôs quadrúpedes no ano passado, segundo documentos da empresa, e atualmente é avaliada em cerca de US$ 9 bilhões antes de sua estreia na bolsa de valores, prevista para quarta-feira. Em contrapartida, nenhuma empresa dos Estados Unidos conseguiu produzir robôs desse tipo em larga escala, incluindo a Tesla, de Elon Musk, que há anos apresenta protótipos de seu robô humanoide Optimus. A Boston Dynamics, fabricante do robô Spot, afirmou recentemente em audiência no Congresso que os preços praticados por empresas chinesas podem expulsar concorrentes americanos do mercado. Nenhum dos pesquisadores entrevistados pela Reuters defendeu que pesquisas financiadas pelo governo fossem mantidas em segredo. Em vez disso, eles argumentaram que os formuladores de políticas públicas deveriam criar condições para que empresas americanas transformem rapidamente esses avanços em produtos competitivos. O Laboratório de Pesquisa do Exército também afirmou que a divulgação dos resultados é importante para o avanço científico e tecnológico. Os EUA continuam se destacando em inovação e desenvolvimento de software, mas precisam de capital, infraestrutura industrial, mão de obra qualificada e cadeias de suprimentos robustas para transformar essas inovações em produção em larga escala, afirmou Vijay Kumar, reitor da Faculdade de Engenharia da Universidade da Pensilvânia. Por ora, as autoridades americanas têm recorrido principalmente a restrições comerciais para proteger empresas nacionais da concorrência chinesa. Em julho, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) proibiu a importação de futuros modelos de robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior, incluindo os da Unitree. A China respondeu à medida com ameaças de retaliação. A embaixada da China em Washington afirmou, em comunicado, que as empresas chinesas estão ajudando a tornar novas tecnologias mais acessíveis em todo o mundo. O governo chinês também acusou os Estados Unidos de abuso de poder administrativo e de promover "distorção de mercado e intimidação unilateral". A maioria dos especialistas ouvidos pela Reuters apoiou as restrições impostas pelos Estados Unidos, mas afirmou que essa políti