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Brasil tem vulcões? Marcas de erupções ainda estão pelo país; veja

Ilha de Trindade apresenta registro histórico de atividade vulcânica Simone Marinho/Wikimedia Commons Não há lava escorrendo por encostas, cidades construídas aos pés de vulcões em atividade nem colunas de cinzas ameaçando o espaço aéreo....

Brasil tem vulcões? Marcas de erupções ainda estão pelo país; veja
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Em diferentes momentos do passado geológico, áreas que hoje fazem parte do território brasileiro foram palco de intensa atividade magmática. Houve enormes derrames de lava associados à separação da América do Sul e da África, episódios vulcânicos no Nordeste e a construção de ilhas inteiras no meio do Oceano Atlântico.

  • Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram Depois, erosão, intemperismo e milhões de anos de transformação da paisagem modificaram grande parte dessas estruturas.
  • As pistas, porém, permanecem gravadas nas rochas.

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Ilha de Trindade apresenta registro histórico de atividade vulcânica Simone Marinho/Wikimedia Commons Não há lava escorrendo por encostas, cidades construídas aos pés de vulcões em atividade nem colunas de cinzas ameaçando o espaço aéreo. Ainda assim, dizer que o Brasil é uma terra sem vulcões conta apenas a parte mais recente de uma história que começou milhões — e, em alguns casos, bilhões — de anos atrás. Em diferentes momentos do passado geológico, áreas que hoje fazem parte do território brasileiro foram palco de intensa atividade magmática. Houve enormes derrames de lava associados à separação da América do Sul e da África, episódios vulcânicos no Nordeste e a construção de ilhas inteiras no meio do Oceano Atlântico. ? Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram Depois, erosão, intemperismo e milhões de anos de transformação da paisagem modificaram grande parte dessas estruturas. As pistas, porém, permanecem gravadas nas rochas. "No Sul do país, extensas sequências vulcânicas remontam à ruptura do supercontinente Gondwana. No Rio Grande do Norte, estruturas registram o vulcanismo continental até cerca de 7 milhões de anos atrás. Fernando de Noronha foi construído por sucessivas fases de atividade vulcânica. E, a aproximadamente 1,2 mil quilômetros da costa do Espírito Santo, Trindade e Martin Vaz guardam alguns dos capítulos mais recentes dessa história", diz o geografo Eduardo Gomes. Fernando de Noronha já foi palco de atividade vulcânica no pasasdo Ana Clara Marinho/TV Globo Diante de um passado tão movimentado, uma pergunta é inevitável: algum desses vulcões ainda poderia entrar em erupção? Com as evidências disponíveis hoje, não há indicação de vulcanismo ativo no território brasileiro. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: NOVOS PEIXES: Peixe recém-descoberto na Amazônia já enfrenta risco de desaparecer, aponta estudo BIRDWATCHING: Terra da Gente acompanha evento dedicado à observação de aves e revela biodiversidade de Tapiraí (SP) GASTRÓPODES: Cavernas do Pará escondem mistérios; duas novas espécies são encontradas Existem vulcões ativos no Brasil? O Serviço Geológico do Brasil (SGB) afirma que o país não possui vulcões ativos nem adormecidos. O Global Volcanism Program, do Smithsonian Institution, uma das principais bases internacionais sobre atividade vulcânica, registra zero vulcões holocênicos no Brasil (termo utilizado para classificar vulcões em atividade) e informa não conhecer nenhuma erupção confirmada no país durante o Holoceno — período iniciado há aproximadamente 11,7 mil anos. Essa situação é bem diferente da encontrada na borda oeste da América do Sul. "Chile, Peru, Equador e Colômbia estão próximos a uma zona de subducção, onde placas oceânicas mergulham sob a Placa Sul-Americana. Esse processo tectônico está diretamente ligado à formação dos Andes e a muitos dos vulcões ativos existentes naquela porção do continente", explica Gomes. Grande parte do Brasil está distante dessa margem tectonicamente ativa. Isso, entretanto, não significa que o país sempre tenha sido geologicamente tranquilo. Quando enormes volumes de lava alcançaram a superfície Um dos capítulos mais espetaculares ocorreu no período Cretáceo, quando América do Sul e África ainda faziam parte do Gondwana. À medida que o supercontinente começou a se romper e o Atlântico Sul se abriu, um gigantesco episódio magmático atingiu regiões que atualmente pertencem aos dois lados do oceano. É a chamada Província Magmática Paraná-Etendeka. No Brasil, sua sequência vulcânica é representada principalmente pelo Grupo Serra Geral, formado predominantemente por basaltos e, em menor proporção, por rochas vulcânicas silicáticas. A província está diretamente relacionada à tectônica de distensão que acompanhou a ruptura do Gondwana. Veja o que é destaque no g1:

Estudos geocronológicos citados em pesquisa publicada nos Anais da Academia Brasileira de Ciências situam rochas do Grupo Serra Geral aproximadamente entre 137 e 134 milhões de anos atrás. Outros trabalhos indicam que uma parcela importante daquele gigantesco vulcanismo ocorreu em um intervalo geologicamente curto. Um estudo publicado na revista Geology, por exemplo, encontrou idades compatíveis com uma fase rápida de extrusão dos basaltos do Paraná por volta de 134 milhões de anos atrás. E aqui há uma diferença importante em relação à imagem normalmente associada a um vulcão. Nem todo vulcanismo ocorre a partir de um grande cone com uma cratera no topo. Na Província Paraná-Etendeka, enormes volumes de magma também alcançaram a superfície através de fissuras, formando sucessivos derrames. Por isso, procurar hoje um gigantesco “cone vulcânico” no Sul do Brasil seria uma forma equivocada de buscar as marcas desse episódio. Onde foram parar esses vulcões? Um vulcão não é uma estrutura eterna. "Chuva, rios, vento, oscilações de temperatura, alterações químicas das rochas, movimentos de massa e outros processos erosivos transformam continuamente a superfície terrestre", explica o especialista. Quando isso acontece durante dezenas ou centenas de milhões de anos, a paisagem original pode desaparecer quase completamente. Um estudo realizado na região dos Aparados da Serra identificou estruturas associadas ao antigo vulcanismo silicático do Grupo Serra Geral. Os pesquisadores mostraram que algumas feições com aspecto de domo correspondem a antigos derrames de lava cuja forma atual foi acentuada pela erosão diferencial, enquanto outras podem representar verdadeiros domos e estruturas alimentadoras do vulcanismo. Isso ajuda a explicar por que geólogos não dependem apenas do formato de uma montanha para reconhecer um antigo vulcão. A investigação inclui a composição das rochas, derrames, depósitos de fragmentos vulcânicos, diques, antigos condutos e relações entre diferentes camadas. "Uma Nuvem Perfeita" de Francisco Negroni. Registro mostra gigantesca nuvem lenticular cercando a cratera do vulcão Villarrica, enquanto a lava ilumina a nuvem por dentro. Local da f