Ex-primeira-dama denuncia prefeito de Granito por violência doméstica “A gente vai criando forças para agir, porque eu vi que o silêncio só protege o agressor; eu demorei, mas criei coragem”, disse a ex-primeira-dama e ex-secretária de Cultura de Granito, no Sertão de Pernambuco, Raíla Miranda, que denunciou o prefeito do município, George de Sidney, por violência doméstica. Ela o acusa de agressões físicas, praticadas na presença do filho, de 7 anos, além de violência psicológica e patrimonial. A declaração foi feita através de um vídeo nas redes sociais da vítima, no domingo (30). O casal mantinha um relacionamento de mais de dez anos, sendo sete de casamento oficial. Segundo Raíla, a relação estava em conflito recentemente, o que a motivou a pedir a separação. Ela afirmou ainda que George não aceitava a separação. ?:Baixe o app do g1 para ver notícias de Petrolina e Região em tempo real e de graça Ex-primeira-dama denuncia prefeito de Granito por violência doméstica Em entrevista à TV Grande Rio, a vítima contou que as agressões ocorreram na casa da família, no dia 26 de julho, após um evento na cidade. Ao chegar assustada por notar que George havia bebido muito, ela entrou no imóvel com o filho de 7 anos e trancou as portas. Sem saber como o prefeito conseguiu entrar na casa, Raíla foi surpreendida por ele no quarto. Antes das agressões, o político a teria ameaçado durante uma discussão. “Como é, você vai querer reconstruir nossa família ou não? Porque se não for para reconstruir, pode acabar com tudo, eu toco fogo em tudo, para mim não vale mais nada, eu não quero saber mais de nada”, relatou Raíla. A ex-primeira-dama afirmou que estava sentada na cama quando George a puxou pelos cabelos e bateu a cabeça dela com força contra um móvel ou a parede. Ela caiu e viu sangue escorrendo pelo corpo, enquanto ouvia o filho gritar por socorro na porta. Segundo Raíla, o prefeito saiu do quarto para buscar toalhas para limpar o chão, quando ela conseguiu ligar para sua advogada, enviar vídeos de seu estado e acionar o irmão, que é médico. Ela optou por receber atendimento em casa para não chamar atenção. A polícia foi acionada, mas George já havia deixado o local. Por medo da influência política do ex-marido, Raíla demorou a formalizar a denúncia. Orientada pela advogada Vitória Gonçalves, ela reuniu provas e acionou o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para pedir proteção. "Neste momento eu gostaria de deixar claro que a violência doméstica contra a mulher, nunca pode ser reduzida a uma discussão política, reduzida a uma discussão simplesmente patrimonial.", disse Vitória Gonçalves, advogada de defesa de Raíla. Em nota, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) informou que “recebeu a manifestação na data de hoje (31/08) e que já foram expedidas as determinações na notícia de fato instaurada. Sem mais detalhes”. Diante de toda a violência, Raíla disse ser grata pelo suporte psicológico, da família e da advogada, e que tenta reunir forças pra se reconstruir. "Se eu pudesse tirar toda a dor, todo o trauma do meu filho, com certeza eu faria, porque ele, acredito que seja a pessoa que mais sofre nessa situação e e eu vejo que ele tá muito traumatizado, mas eu tenho buscado cuidar dele, do psicológico dele e tenho muita fé que Deus vai curar o coraçãozinho dele, a mente dele, assim como o meu, mas tem sido bem difícil", disse Raíla, emocionada. Após o episódio, Raíla deixou o cargo de secretária de Cultura. A prefeitura alegou que a saída ocorreu a pedido dela, mas a vítima afirma que foi afastada e que o contexto de sua demissão foi alterado. A reportagem da TV Grande Rio procurou George de Sidney na prefeitura e na casa da mãe dele, mas ele não foi localizado. A defesa do prefeito informou, por nota, "que por se tratar de um caso familiar a defesa não vai se manifestar". Depois que o vídeo de Raíla foi publicado nas redes sociais, o prefeito George de Sidney, afirmou em nota, que os fatos serão tratados pelas vias legais e que apresentará sua versão dentro do processo. “Não pretendo transformar questões familiares e judiciais em debate público. Tudo será esclarecido no processo, com provas, responsabilidade e sob os rigores da lei, como tenho feito desde o início”, diz um trecho da nota divulgada nas redes sociais. O caso é investigado em conjunto pelas delegacias de Bodocó e de Exu, municípios vizinhos, que possuem mais estrutura para o inquérito. Raíla, o filho e testemunhas já foram ouvidos. Em nota, a Polícia Civil informou que “as diligências foram iniciadas para apurar os fatos e adotar as medidas cabíveis”. O MPPE confirmou o recebimento da denúncia e a expedição de determinações legais. A Direção Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco emitiu nota repudiando o caso e confirmando a saída de George de Sidney da legenda. A Direção Estadual do Partido dos Trabalhadores de Pernambuco repudia, com veemência, toda e qualquer forma de violência contra as mulheres. Manifestamos nossa solidariedade à vítima diante das denúncias de agressão física e violência patrimonial envolvendo o prefeito de Granito, George de Sidney. Diante da gravidade das acusações, a direção partidária recebeu seu pedido de desfiliação enquanto encaminhava, em regime de urgência, processo ético-disciplinar. São urgentes a apuração dos fatos e a adoção das providências cabíveis pelos órgãos de Justiça, assim como as medidas necessárias para assegurar a proteção imediata às vítimas, mulher e criança. A violência contra a mulher é uma das mais duras expressões da estrutura patriarcal que contamina a sociedade, atenta diariamente contra a vida das mulheres e precisa ser combatida com urgência e firmeza. É preciso romper com a naturalização da ideia de posse sobre as mulheres e combater a cultura de impunidade que permite a perpetuação dessa violência. A dignidade e os direitos das mulheres são princípios e valores do Partido dos Trabalhadores. Esse caso não será esquecido e encontrará, nesta direção, todo o