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Prepare-se: o combate à desinformação climática vai fazer parte da agenda da sua organização

O Brasil está em ano de eleições gerais, período em que o combate à desinformação ganha urgência. Textos, vídeos, áudios e imagens podem ser produzidos e distribuídos em escala crescente, agora com o reforço da...

Prepare-se: o combate à desinformação climática vai fazer parte da agenda da sua organização
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O Brasil está em ano de eleições gerais, período em que o combate à desinformação ganha urgência. Textos, vídeos, áudios e imagens podem ser produzidos e distribuídos em escala crescente, agora com o reforço da inteligência artificial generativa. Campanhas eleitorais são terreno fértil para manipulações, fraudes de identidade, conteúdos sintéticos e versões...

Key points

  • O Brasil está em ano de eleições gerais, período em que o combate à desinformação ganha urgência.
  • Textos, vídeos, áudios e imagens podem ser produzidos e distribuídos em escala crescente, agora com o reforço da inteligência artificial generativa.
  • Campanhas eleitorais são terreno fértil para manipulações, fraudes de identidade, conteúdos sintéticos e versões deliberadamente distorcidas da realidade.

Context

This story is part of the Climate coverage. The original reporting source identified by the page is ClimaInfo. Publication date: August 31, 2026 at 17:46.

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O Brasil está em ano de eleições gerais, período em que o combate à desinformação ganha urgência. Textos, vídeos, áudios e imagens podem ser produzidos e distribuídos em escala crescente, agora com o reforço da inteligência artificial generativa. Campanhas eleitorais são terreno fértil para manipulações, fraudes de identidade, conteúdos sintéticos e versões deliberadamente distorcidas da realidade. Mas esse cenário não é exclusivo do período eleitoral. Nem se alterará após a contagem dos votos.

Um levantamento divulgado em agosto pela Sala de Articulação contra Desinformação, assinado por 66 organizações da sociedade civil, laboratórios e instituições de pesquisa, entre elas Conectas, Instituto Marielle Franco, Data Privacy Brasil e InternetLab, analisou as políticas das principais redes sociais, aplicativos de mensagem e ferramentas de inteligência artificial diante das eleições de 2026. Encontrou lacunas nos canais de denúncia, na transparência e nas regras para enfrentar conteúdos produzidos por IA. O estudo recomenda mecanismos permanentes de governança, auditoria, transparência e prestação de contas, e esse é um tema que precisa entrar na agenda de todos os segmentos da sociedade civil.

A desinformação climática e socioambiental, por exemplo, é pouco contemplada pelas políticas das plataformas. Facebook, Instagram, X e LinkedIn não possuem regras específicas para o tema. YouTube e Kwai apresentam medidas parciais. Entre as redes analisadas, apenas o TikTok o aborda explicitamente, inclusive nas regras para publicidade. O documento recomenda políticas próprias para desinformação climática e socioambiental, prevendo medidas que podem ir da contextualização e redução de alcance à desmonetização, restrição de publicidade e remoção de conteúdos.

“Novo negacionismo”: ataque às soluções para a crise climática

A leniência das redes sociais alimenta não só a desinformação. Durante muito tempo, o negacionismo climático esteve fortemente associado à tentativa de desacreditar a própria existência das mudanças do clima ou a responsabilidade humana pelo aquecimento global. Essa narrativa não desapareceu. Mas uma pesquisa publicada em 2025 na revista Global Sustainability, da Cambridge University Press, por pesquisadores da Universidade de Utah, mostra uma mudança importante. Eles analisaram mais de 200 mil publicações feitas no Twitter entre 2021 e 2023 e identificaram o que chamam de “novo negacionismo”. Parte relevante da desinformação já não procura convencer as pessoas de que a mudança climática não existe, mas sim atacar as soluções propostas para enfrentá-la e as pessoas e instituições que as defendem. Energias renováveis são apresentadas como ineficientes ou perigosas. Políticas climáticas aparecem como ameaças econômicas. Seus defensores são acusados de agir por interesse financeiro, político ou por desejo de controlar a sociedade.

A mudança é significativa porque uma política pública pode ser prejudicada mesmo quando existe consenso científico sobre o problema que pretende enfrentar. A mentira não precisa derrotar a ciência. Basta conseguir reduzir a confiança na solução. Esse deslocamento já pode ser observado no Brasil. Um artigo publicado em março deste ano na Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, da Intercom, mapeou a rede de desinformação formada no YouTube durante as queimadas da Amazônia em 2019. Os pesquisadores encontraram a desinformação em posição predominante entre os vídeos mais visualizados do universo estudado, com narrativas voltadas ao enfraquecimento de instituições e da legislação de proteção ambiental.

Cinco anos depois daqueles incêndios, as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul ofereceram outra demonstração do problema. Pesquisas acadêmicas identificaram conteúdos falsos e enganosos circulando durante a emergência, atingindo desde as causas e dimensões do desastre até resgates, doações e a atuação das instituições públicas. Um levantamento do NetLab, laboratório da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, encontrou 381 anúncios fraudulentos e 51 anúncios com desinformação sobre as enchentes circulando nas plataformas da Meta.

A economia da desinformação climática

O episódio acrescenta uma dimensão importante: desinformação pode dar dinheiro. Havia falsas campanhas de arrecadação, informações enganosas sobre resgates e narrativas que atribuíam a tragédia a acontecimentos sem qualquer relação causal com o desastre. O NetLab também identificou naquele período vídeos com informações falsas ou negacionismo climático que continuavam monetizados pelo YouTube. Oito vídeos encontrados pelo laboratório acumulavam mais de 2,3 milhões de visualizações e exibiam anúncios vendidos pela plataforma.

O problema não se restringe ao Brasil nem a episódios isolados. Uma pesquisa publicada na Nature em 2024 analisou durante três anos a relação entre sites que divulgam desinformação, anunciantes e plataformas de publicidade digital. A conclusão foi que a publicidade é uma das principais fontes de financiamento desse ecossistema e que os sistemas automatizados de distribuição de anúncios ampliam o fluxo de recursos para sites que publicam desinformação. A pesquisa encontrou ainda outro componente perverso: muitos executivos das empresas anunciantes nem sequer sabiam que suas marcas apareciam nesses ambientes e declararam que prefeririam evitá-los.

No campo climático, uma investigação da Global Witness encontrou anúncios fornecidos pelo Google em páginas do Epoch Times que promoviam negacionismo climático, inclusive em português para o público brasileiro. A organização estimou que, em doze meses, os anúncios poderiam ter gerado aproximadamente US$ 960 mil para o veículo e US$ 450 mil para o Google. São estimativas da organização, calculadas a partir de dados de tráfego e ferramentas de publicidade, e não valores auditados. Ainda assim, a investigação documentou a relação comercial e a presença dos anúncios em páginas com alegações contrárias ao conhecimento científi

Source: ClimaInfo

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